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Brasileiros gemem na mão de Geremia

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Dá pelo nome de CAG (Alberto Alberto Geremia) o homem que tem deixado a Comunidade Brasileira em Londres á beira de um ataque de nervos. Em causa, estão promessas de legalização de cidadãos brasileiros que desembolsam milhares de libras a troco de um alegado logro.

A estratégia é simples mas com efeitos devastadores na vida das pessoas que assinam o contrato com a 7 Consultants. Vários brasileiros em situação ilegal ou prestes a entrar na ilegalidade na Europa, foram alvo das promessas de CAG que promete a residência Europeia, actuando em Portugal e Itália, a troco de valores que oscilam as três mil libras.

Conforme os testemunhos recolhidos pelo Palop News, é depois de enviar os seus clientes para Portugal que os abandona e regressa a Londres para novas investidas. Um dos casos que detectamos, trouxe mesmo uma família de Miami (EUA) para Londres.

O caso foi denunciado pela advogada Cláudia Vieira, com sede em Londres na sua página do Facebook. Nesse «post», a advogada declara que CAG "Ameaça os imigrantes ilegais depois de conseguir altos valores para um suposto serviço. Mente e vende contratos de trabalho em Portugal para ilegais no Reino Unido" diz para continuar - "Hoje recebi mais uma denúncia de uma pessoa que teve 2.800 libras levadas por ele e a fez ficar um mês em Portugal esperando por ele e nada... Além do facto de que ele nem sequer é «advisor»". - conclui.

Seguimos na peugada das alegadas vítimas de CAG e encontramos pessoas que retratamos neste artigo e que viram sonhos crescer com as promessas de CAG mas que no final descobriram apenas uma montanha de pesadelos.

Por seu turno, CAG argumenta que não. "Todos os nossos serviços são legais e legítimos" - diz ao nosso jornal.

Mais de uma dezena de pessoas contactadas por nós, referem que o objecto do negócio é conseguir a certificação de residência ou a cidadania em Portugal. O mesmo refere CAG que tem no seu lote de produtos a legalização de brasileiros em Portugal e mesmo em Itália.

O serviço, passa por levar as pessoas a Portugal e fazer o registo do NIF (Número de Identificação Fiscal). Com este expediente, os cidadãos brasileiros inscrevem-se como Empresários em Nome Individual (Autônomos), e por aqui chegam ao registo na Segurança Social. Depois, é o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) que entra no cenário, até que a residência seja uma realidade. É legal?

"Sim, é possível pedir o NIF e o registo na Segurança Social nesses moldes, mas isso não dá acesso directo ao Cartão de Residente, mas também ninguém chateia e o cartão acaba por sair" - diz o TOC Joel Francisco em Portugal.

CAG recorre aos serviços de uma «contadora» (Técnica de contabilidade) em Portugal com escritório em Casal de S. Brás em Portugal.

As histórias, trazem porém outros contornos.

Renato, nome falso de um dos nossos entrevistados, conheceu CAG como a maioria dos nossos entrevistados. Através de alguém conhecido que recomendou os seus serviços. Um destes angariadores, é um português com sotaque brasileiro de nome Sérgio Oliveira.

Mas vamos por partes.

Renato, revelou ao Palop News que contactou CAG a partir da Índia onde estava numa conferência e acertou negociar o cartão de residência. Para o efeito, afirma ter pago duas mil e quinhentas libras na conta da filha de CAG no Brasil e que as restantes mil libras em falta seriam pagas após ter o documento de residência.

“O CAG garantiu-me que não demoraria mais de duas semanas a ter o documento do SEF” – revela para continuar – “Encontrei-me com o CAG em Portugal e mais dois dos seus clientes. Fomos tratar do NIF (Número de Identificação Fiscal) e depois ficamos a aguardar o resto do processo que nunca aconteceu”.

Segundo o nosso entrevistado, a estadia estava incluída no valor pago mas “tive que pagar a estadia do meu bolso num hostel no Porto, e depois em casa de um amigo. CAG sempre disse que tinha alguém em Portugal para tratar do assunto mas isso nunca aconteceu. Dois meses depois regressei ao Brasil com o meu dinheiro”. Este cliente de CAG afirma ter “percebido o logro depois de ter conhecido outras pessoas na mesma situação. No meu caso, por ter ascendência portuguesa, CAG prometeu-me a nacionalidade e que tinha alguém no SEF que iria agilizar o meu processo”.

São várias as contradições encontradas até aqui. A primeira é que há mais entrevistados a afirmar o pagamento na conta da filha de CAG no Brasil que alegadamente vive em Porto Alegre.

Que não, diz CAG. “Eu não tenho nenhuma filha no Brasil” – afirma ao Palop News e adianta: “Que tenham pago no Brasil é verdade, em alguns casos na conta de um parente” – remata. O Palop News tem porém a prova do pedido de pagamento no Brasil em nome de Bruna Moratori Geremia com o CPF 031 569 260 00 na agência 0429, conta 9339-9 na conta poupança 013 para onde CAG pede o depósito urgente.

A outra contradição, passa pela função do alegado angariador Sérgio Oliveira.

CAG, assume que este personagem por diversas vezes lhe apresentou clientes. “Trata-se de um português/brasileiro legítimo que tem documentação portuguesa”. Outros entrevistados pelo nosso jornal confessam ter passado pela mão de Sérgio Oliveira antes de chegar a CAG.

Contactamos Sérgio Oliveira através de um número de telefone inglês. Atendeu e disse estar a trabalhar em França. Confrontado com as nossas questões, recusa que seja um angariador de CAG mas assume ter enviado alguns contactos para efeitos de tratamento de documentação portuguesa para cidadãos brasileiros e ter sido financeiramente compensado por isso. “De uma vez o CAG deu-me algum dinheiro como prémio pelos contactos que lhe enviei” – confessa.

O mesmo Sérgio Oliveira, afirma que também para ele, CAG está a tratar da documentação portuguesa que se encontra caducada. O Palop News tem porém diversos print screen’s de conversas no Whatsapp em que Sérgio Oliveira assume residir na zona de Stratford a Norte de Londres, facto que este nega ao Palop News.

Nem todos os entrevistados permitem ser identificados neste trabalho. Alguns, estarão em situação irregular e temem represálias. “Ele denuncia os seus clientes às autoridades inglesas quando se sente apertado” – revela Cláudia Vieira, advogada em Londres que despoletou este caso.

Raimunda Coelho, também passou pelos serviços de CAG. “Estava com problemas na empresa onde estava a trabalhar e em risco de perder a renovação da minha documentação. CAG, ofereceu-me o casamento a troco de três mil libras” – afirma.

O casal viajou para Itália o que é confirmado por CAG. “Tentei ajudar na «High Court» em Londres e com a residência em Itália quando o Home Officce lhe negou o visto”. Segundo CAG, esta cliente esbarrou com as diferenças legislativas em Itália depois de, segundo esta, já ter pago três mil libras e com a responsabilidade de pagar mais mil e 500 libras para as despesas. O casamento acabaria por não se consumar. “O CAG acabou por descartar essa possibilidade alegando um processo no Brasil em que fui envolvida, numa prefeitura onde prestei serviço profissional e de onde o Prefeito desapareceu com um desvio de dinheiro” – revela a nossa entrevistada. Sobre esta mesma entrevistada, CAG alega que a documentação profissional estava errada. Sem negar nem confirmar a questão do casamento apesar de confrontado por nós, CAG confirma o que nos foi dito pela Raimunda Coelho e que mais tarde haveriam de estar no Porto (Portugal). “Éramos amigos e várias vezes ela me emprestou dinheiro que eu devolvi e outras vezes enviei dinheiro para ela” – revela CAG.

Já Raimunda Coelho afirma, a exemplo de todos os outros entrevistados, ter pedido o dinheiro de volta mas até hoje sem retorno. “Acabei por perder o meu visto porque ele (CAG) cometeu um erro quando o meu visto ainda estava válido e acabei por perder a minha residência em Londres. Foi quando ele me propôs o casamento” – afirma.

Raimunda Coelho lamenta que depois de desfazer o “noivado”, CAG não tenha optado por outras soluções para lhe conseguir a documentação em Portugal. “Só tive certezas quando CAG me deu o xeque-mate em Portugal e eu tive que voltar ao Brasil. Ainda fiquei em Portugal por algum tempo e acabei por conhecer quatro outras pessoas na mesma situação que eu. O CAG tinha prometido a documentação mas isso nunca aconteceu”- afirma ao Palop News.

Esta versão, é também confirmada por Daniel, diminutivo usado em Portugal para Darmendra, um português de origem indiana que trabalha na construção civil em Portugal e onde alguns dos nossos entrevistados acabaram por trabalhar.

“Sim, conheci três homens e uma mulher que dizem ter sido enganados e abandonados por CAG. Muitos brasileiros que vivem na minha zona reclamam de CAG que afirmam que CAG lhes cobra o dinheiro e depois os abandona em Portugal” – afirma.

Daniel, diz ainda que CAG o terá contactado através de um tal “Rui que trabalhava no Consulado de Portugal em Londres”. Este Rui, haveria de aparecer várias vezes na boca dos alegadamente lesados por CAG como um amigo (dr. Rui) que a partir do Consulado em Londres agilizava os processos de documentação como os vistos.

Para CAG, as coisas não são bem assim. “O Rui procurou-me para negócios de importação a partir do Brasil. Numa das vezes, o negócio foi de carnes brasileiras e havia outros produtos como o vinho e o azeite. Falamos de negócios” afirma CAG para continuar – “Ele apresentou-me pessoas que sabiam como fazer a residência para brasileiros em Portugal” – confirmando assim o que alguns entrevistados revelaram ao Palop News.

Voltando a Raimunda Coelho, afirma: “Não devolveu o meu dinheiro, deixou-me ao deus-dará num hotel e sumiu. Depois disso nunca mais disse nada e ficou com o meu dinheiro” – finaliza.

Mais grave, acabaria por ser a história de um casal de origem brasileira a viver em Miami nos Estados Unidos. Fidel Verdura, natural de Cuba e casado com Patrícia Oliveira. “Paguei 3.350 dólares a partir de Miami para uma conta em Londres, 1.600 euros em Portugal para uma conta em Portugal e 2.500 em dinheiro” – revela Fidel para continuar – “Uma pessoa conhecida da minha esposa que conhece Sérgio Oliveira, o comparsa do Carlos” – diz e continua - “O CAG ofereceu-nos a residência no prazo de um mês a troco de três mil e 500 libras por pessoa e o passaporte em seis meses e que tudo seria legal. Disse que era um direito do cidadão brasileiro” – revela. Terá sido o próprio CAG que enviou a carta convite para este cubano entrar na Europa mesmo depois de esta já ter um exemplar enviado por uma irmã a viver na Alemanha. “Quando cheguei a Portugal depois de ter passado pela Alemanha, tive que pagar mais mil libras para continuar o processo. Tratamos do NIF e de outro documento que não me recordo e CAG informou que eu já podia trabalhar em Portugal já que o processo estava em andamento” – afirma Fidel que regressou à Alemanha para estar com a família.

Mais tarde, CAG volta a chamar Fidel a Portugal para tratar da Segurança Social. “Tive que pagar mais duas mil libras para ele pagar aos contactos que tem dentro do SEF” – revela Fidel num argumento que é partilhado por outros entrevistados.

Fidel acrescenta que CAG lhe disse que “iria entrar no SEF pela porta das traseiras e sair pela porta da frente já com o documento na mão. Não estávamos a fazer nada de ilegal e o dinheiro seria apenas para agilizar o processo” – revela Fidel que confirma ter estado na porta do SEF todo o dia á espera que CAG pudesse aparecer, o que não aconteceu até ao fecho do expediente.

“Começaram as mentiras e foi quando conheci Ana Duarte, a técnica de contabilidade em Portugal. Quer a «contadora» quer a sua assistente (Sónia(?), são também vítimas de CAG. Creio que não tenham responsabilidades nesta questão. Ana Duarte, cobra 100 euros para tratar do NIF e a sua assistente cobra 50 para acompanhar aos serviços oficiais” – diz Fidel.

“Não há nada de errado no trabalho desta técnica a fazer fé no teor da consulta” – afirma o TOC português Joel Francisco que refere apenas a possibilidade de uma valor excessivo para o serviço prestado por CAG mas isso é problema de cada acordo comercial" -”afirma.

É neste acordo comercial que CAG acaba por fundamentar os seus argumentos. Se as pessoas têm razão de queixa que falem comigo ou com as autoridades competentes” num processo todo ele cível, sem recurso a outro Tribunal que não seja o poder judicial britânico por imposição contratual.

Quanto a Fidel Verdura e Patrícia Oliveira, “CAG levou todas as nossas economias. No total gastei mais de 14 mil libras e agora estou separado da minha mulher e do meu filho devido a esta situação”. Patrícia Oliveira, esposa de Fidel, confirma estar agora no Brasil enquanto que Fidel está ainda na Europa á espera de oportunidade para regressar ao Brasil.

Nos áudios gravados por Fidel, ressalta a necessidade de CAG cobrar o dinheiro para o alegado suborno. “Eles não querem saber de problemas” – diz CAG ao telefone com Fidel onde continua – “Quando passo (o dinheiro) dou as indicações. Isso é de fulano, isso é de beltrana e isso é da companhia tal…” – revela CAG sem nunca referir a instituição. “Isso é o combinado de estarmos lá com eles para resolver o problema. A questão é que estou amarrado para arrumar a conta. Eles não querem saber” – afirma CAG. Fidel disponibiliza-se para pagar mas confessa não ter o total disponível. CAG responde: “Só quero que tu entendas que para eles, a conta é 2 e não tem 2. Só tem um e quinhentos” diz CAG que adianta “Se eu falar para os caras disto, eles vão dizer que posso parar e que não querem mais. Eles são profissionais. São eles que têm a senha e que vão botar o dedo na reta não somos nós. Eu não quero ter indisposição com essa gente” – finaliza CAG na gravação áudio para noutra gravação afirmar “O Sr. Rui Sousa (SEF), vai descer na recepção e vai falar contigo antecipado” – o que nunca viria a acontecer. “Não apareceu ninguém, nem o próprio CAG” – revela.

Fidel, de resto, alega que o responsável por ele na Europa e o seu representante Legal, é CAG. Fidel e a esposa Patrícia, não se ficaram em silêncio e começaram a falar do assunto nas redes sociais e aqui aparece uma ameaça, alegadamente por parte de Sérgio Oliveira. “Não sei onde você bateu com a cabeça mas você fez uma coisa muito grave. Você acabou de meter os dois pés dentro de água a ferver e vai sofrer sérias consequências por causa dessa merda que você fez” – diz a prova em nosso poder.

Entretanto, Fidel já tinha em seu poder o registo nas Finanças (NIF) e na Segurança Social. Nada disso porém, assegura a residência embora facilite os contactos com as autoridades portuguesas desde que o processo do SEF esteja em curso.

Já a esposa Patrícia, fala em “3 mil libras para o processo de residência e sete mil para a cidadania portuguesa”.

CAG tem endereços profissionais em Londres e em Portugal, informação que é confirmada pelo próprio e alguns dos nossos entrevistados. “Recebemos mensagens de pessoas que alegam que o trabalho do CAG é eficiente e Legal. “Ele afirma que tem amigos no SEF” – diz Patrícia Oliveira a confirmar outras histórias cujos relatos aparecem mais á frente.

Para Patrícia Oliveira, quando CAG assume ser responsável pelo cliente, fica claro que as coisas têm aparência de transparência e legalidade. “Pensamos sempre que ele não iria atravessar o seu próprio nome se o processo fosse ilegal” – diz.

Para a mesma entrevistada, fazer o registo nas Finanças (NIF), tem um custo inicial de “mil libras” para uma operação que custa cerca de vinte euros. “O fornecedor de serviços pode pedir o dinheiro que entender. Não há nenhuma ilegalidade nisso” – refere o TOC Joel Francisco com escritório em Matosinhos. “Depende de as pessoas aceitarem ou não” – conclui.

Quando percebem que a promessa de residência não é concluída, as pessoas tentam reaver o dinheiro. “Ele leva as pessoas para Portugal e acabam por lá ficar na ilegalidade. No desespero, as pessoas tentam contacta-lo e cobrar dele e é quando são ameaçadas pelo CAG que ele envia os Serviços de Imigração para as pessoas. Ele manda a polícia atrás das pessoas com a queixa de que as pessoas o querem matar e que pretendem extorquir o dinheiro dele. O cidadão ilegal, por mais que seja a vítima, está numa posição desconfortável para poder actuar” – revela Patrícia Oliveira.

Eduarda, nome falso, não pretende ser identificada por estar em situação irregular na Europa, mas fala ao nosso jornal. Conheceu CAG através de uma amiga que tinha tratado de um processo de divórcio através do mesmo CAG. “Eu estava a pensar ir para Portugal estudar e CAG disse-me que isso seria possível. O preço a pagar seria de três mil e 500 libras com três mil á cabeça. Quando eu chegasse a Portugal haveria alguém para cuidar do meu processo em Agosto de 2017. Como eu não tinha o dinheiro todo, depositei na conta de CAG 2.800 libras em dois dias seguidos” – revela Eduarda.

Eduarda, comprou a sua viagem para Portugal para 22 de Agosto de 2017 e combinou estar com CAG em Portugal no dia 28 seguinte. CAG não apareceu nem nesse dia nem nunca mais ao longo de um mês que Eduarda permaneceu em Portugal. “Começou por alterar o nosso encontro do Porto para Lisboa o que aceitei. No dia 28, disse-me que só chegaria no dia 5 de Setembro. Aceitei o atraso mas não a deslocação a Lisboa com a alteração da data” – diz Eduarda. CAG, concordou no encontro no Porto no dia 5 de Setembro “e mais uma vez não apareceu apesar das insistências” de Eduarda. “A 15 de Setembro, já no táxi para o aeroporto para regressar a Londres, ele contactou-me a perguntar se eu poderia estar em Lisboa a 19 e 20 de setembro para dar entrada do processo de residência. O primeiro passo, seria fazer o NIF”. Tarde demais. Eduarda estava já de regresso a Londres descrente de qualquer solução e com a ideia de que tinha caído num logro. “Estive lá quase um mês á espera dele e ele não apareceu” – confessa.

Eduarda, decidiu então contactar o escritório de CAG em Londres de surpresa. CAG, recusa-se a receber a cliente alegando que estava ocupado com outro cliente mas esquecendo que a partir do exterior, era possível confirmar a informação através das janelas. Eduarda aproveita a entrada de outras pessoas no edifício, entra e pede o seu dinheiro de volta. CAG, alega com uma proposta de fazer regressar Eduarda a Portugal, desta vez por expensas de CAG. Eduarda recusa. Tinha havido falha de contrato da prestação de serviços. Quer apenas o seu dinheiro de volta. CAG alega que não tem esse dinheiro e que precisa de confirmar com o seu advogado uma reunião com a cliente.

“Nunca elevei a voz, não o denegri, não falei nas redes sociais, não ameacei e sempre fui tranquila. Quero apenas o meu dinheiro de volta” – diz Eduarda.

Pelo meio, aparecem links de empresas dispostas a financiar através de empréstimos, a solução para quem não possui a verba necessária.

Quanto a Eduarda, revela. “Eu confiei nele e foi com ele que fiz o acordo que ele não cumpriu” – desabafa.

CAG, sem nunca mencionar o nome da sua cliente, alega que fez uma proposta que foi recusada e por isso o caso fica encerrado. “As pessoas descontentes que procurem a Justiça” – diz CAG.

Será assim tão fácil? A advogada Vitória Nabas é da opinião que a questão não é pacífica. “Quando uma pessoa em situação ilegal recorre á polícia, corre o risco de ser deportada até porque lhe vai ser pedida a identificação. As pessoas podem contudo apresentar queixa por terceira pessoa que pode ser um advogado” – revela.

Na opinião desta advogada, existem outras possibilidades e o Movimento Associativo pode responder por esta solução.

Carlos Mellinger, Presidente da Casa do Brasil em Londres, confirma ao Palop News essa possibilidade. “Se forem nossos associados podemos sempre estudar essa possibilidade e ela existe” – afirma.

Impedida de recorrer á polícia por estar em situação ilegal, Eduarda insiste pelos seus meios e tenta contactar CAG. Sem êxito porém. Este exige a marcação de um dia e hora que nunca tem disponível. Eduarda teme ter a polícia á sua espera caso se desloque ao escritório de CAG em Mile End em Londres. O percurso é tortuoso.

Leopardo Júnior é outro dos clientes insatisfeitos. Depois de ter pago duas mil libras, viajou para Portugal não sem antes sair do espaço Schengen para depois voltar a entrar. “Mil e 500 libras seriam para o processo e as 500 para a hospedagem. Tive que pagar a estadia do meu bolso” – revela.

“Estive no Porto um mês e depois fui para a Guia (Distrito de Leiria), porque tinha que encontrar trabalho. O meu dinheiro tinha acabado” – confessa.

Daniel, mencionado acima, confirma que Leo (Leopardo Júnior de nome verdadeiro), trabalhou com ele na zona de Pombal.

Na fé dos diversos clientes por nós contactados, o simples facto de terem o NIF na mão, era já sinal de que tudo era legal. Mentira. Qualquer cidadão pode pedir o NIF com a morada do país de origem. Isso não lhe dá nem o direito de residência, nem o de cidadania. O mesmo acontece com a inscrição na Segurança Social segundo apuramos junto de técnicos em Portugal. Se a inscrição nas Finanças, NIF tem um custo de vinte euros aproximadamente, já a inscrição na Segurança Social é gratuita. A pagar, apenas as contribuições mensais.

Os valores cobrados pela 7 Consultants em Londres aparecem assim extrapolados. “Tenho que pagar todas as despesas de deslocação e estadia dos clientes” – diz CAG em contraponto com os clientes que alegam terem pago do seu bolso despesas que alegadamente estariam incluídas no contrato. Contrato que de resto nunca nos foi enviado, seja pelos clientes, seja pelo próprio CAG.

Leopardo Júnior, decidiu por sua conta e risco consultar o serviço de Finanças. Por lapso, deram-lhe a password do próprio CAG e disso resulta um print screen em que aparecem os nomes de diversos cidadãos representados por CAG em poder do Palop News.

Numa carta assinada por CAG a Leopardo Júnior, CAG agradece o acordo feito para trabalhar os requisitos necessários para a residência na União Europeia através de Portugal, incluindo o espaço Shengen se necessário.

“Procuradoria Geral Distrital (figura que em Portugal não existe), Instituto do Emprego, NIF, Segurança Social, Sefpt, Imobiliária, formulários, SEF, tradução e legalização de documentos.

Este documento não é um contrato, assina CAG com uma rúbrica na carta da 7 Consultants com sede em Londres, afirmando ainda que não se trata de um contrato de naturalização ou de cidadania.

CAG pede ainda cópias dos documentos. “Pede até a nossa morada no Brasil” – diz um dos nossos entrevistados, razão pela qual temem represálias nas famílias a viver no Brasil.

Pressionado por alguns clientes, CAG passa ao ataque e envia para a sua base de dados informação a denunciar os clientes revoltados. Nessa correspondência, anexa imagens de passaportes dos clientes «banidos» e informa que essas pessoas deixaram de ser seus clientes.

Em alguns casos, informa já ter apresentado queixa na Justiça em Portugal e Inglaterra contra esses clientes e adianta que se tratam de pessoas que viveram ilegalmente no Reino Unido. Em dois casos, CAG denuncia que os seus clientes Fabrício e Poliana (e revela os números de passaporte), por terem vivido no Reino Unido com documentos falsos acusando-os de crime de difamação.

Alguns dos clientes da CAG acabaram por perder as vidas que tinham em Londres. “Quando vim a Portugal trouxe apenas uma mochila. Perdi todas as coisas que tinha em Londres; roupa, equipamento pessoal, emprego” – diz um dos entrevistados.

Leopardo, tentou apresentar queixa no SEF em Portugal. “Fui ao SEF para fazer uma denuncia contra ele e disseram-me que não podiam fazer nada já que o CAG podia representar tantas pessoas quantas ele quiser que não tem problema algum… a única coisa que o CAG fez foi pegar dinheiro de todo o mundo e sumir. Ninguém mais podia ir atrás dele. Os que conseguiram voltar a Inglaterra não o podiam denunciar porque continuavam ilegais e no Brasil, já não têm oportunidade de dizer nada contra ele como é o meu caso”.

Muitos destes nomes, foram informados da amizade com o «dr. Rui» do Consulado de Portugal e dos alegados agentes do SEF que eram ilegalmente pagos para «agilizar» os processos.

Neste imenso imbróglio de casos, aparece o escritório de advogados Maxwell Alves para quem alegadamente CAG teria prestado serviços. Na internet, era ainda possível encontrar informação negativa da SRA (Solicitors Regulation Autority) que regula a actividade dos advogados no Reino Unido. Essa informação, terá entretanto desaparecido. “Fui absolvido dessa acusação e pondero pedir uma indeminização á empresa Maxwell Alves” – revela.

Também os escritórios de advogados J. Coopers e Kingston Solicitors são mencionados como alegados “poisos” de CAG para atender os seus clientes.

Outros casos em carteira nesta investigação não foram desenvolvidos por nós por falta de espaço para um trabalho que já vai longo.

Para trás, fica um conjunto de enganos com muitas vítimas. Não será de espantar que alguns dos clientes de CAG tenham optado pelo envio de ameaças e imagens como urnas funerárias acompanhadas de legendas que prometem que um dia, CAG possa “acordar com a boca cheia de formigas”.

Pelo caminho, fica uma estratégia que na prática não pode ser considerada ilegal, mas fica também um conjunto de manobras e mentiras passíveis de procedimento judicial que só não acontece, graças a uma indústria do medo que CAG de alguma forma personifica junto dos clientes que desembolsaram milhares de libras, e não viram cumpridos os seus sonhos traduzidos em forma de contrato com uma nomenclatura demagógica feita á medida para impressionar.

CAG tem sido alvo de várias ameaças por clientes que pagaram para atravessar muros e fronteiras de encontro a um percurso a vários níveis desastroso. “Passamos fome em Portugal” – revela um dos clientes de CAG ao Palop News.

O TOC Joel Francisco acabaria por afirmar: “Aqui está um caso de fraude, sendo que  a fraude não é na obtenção no Nif, que isso qualquer um pode pedir, desde que dê uma morada de um residente que se «responsabiliza» pela recepção da documentação (fica representante - nada de extra).  A fraude será em fazer crer às pessoas, penso eu, que irão ficar legais”.

Ao Palop News, CAG refere ter referências acima de qualquer suspeita. “Já colaborei com a polícia de vários países em questões de fraude e o meu perfil profissional tem uma lógica.

Como é possível que eu não dê uma calote e caia fora? Seria fácil pegar o dinheiro e desaparecer (como se não fosse isso mesmo que os clientes reclamam). Posso falhar comercialmente com compromissos que não realizei, mas não fiquei rico até hoje porque não roubo. Eu trabalho e pago impostos. Eu nunca roubei ninguém” – finaliza o empresário que também se assume como investigador.

PN

Nota 1: Este artigo foi escrito com o suporte de 506 ficheiros em 34 pastas incluindo imagens e gravações de voz. Algumas das vítimas com quem falamos, não são mencionadas neste artigo por falta de espaço.

Nota 2: Este artigo teve o pedido de Direito de Resposta que foi concedido e que pode ser lido aqui.

Data:7 janeiro 2018

Apoio: Age Go Back

 

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