Cristina Conduto, guineense "londer" retrata em primeira mão as notícias da Guiné com uma precisão local.
"Já há luz ao fundo do tunel. Votos que assim seja".
Bissau está calmo. Regressa à normalidade. Há carros e pessoas a circularem pelas ruas, avenidas e artérias da capital. As lojas estão abertas. O comércio funciona normalmente. No mercado do Bandim ja se faz negócio de tudo um pouco. Regateiam-se os preços. Olha que a vida não está para brincadeira. É a crise à moda guineense. No centro de Bissau, alguns bancos abriram, outros ainda não. Razões de segurança, dizem eles. Há alguns soldados nas ruas, principalmente
, na zona que dá acesso à casa do primeiro-ministro. Há soldados na zona do Benfica e na zona da embaixada do Brasil, mas a rua é transitável. Ontem à noite é que não. Ninguém podia passar na zona da casa do Cadogo. As escolas não estao abertas, devido às férias natalícias. Nas imediações dos quartéis nota-se pouca movimentação dos carros. Não se vê o entra e sai como ontem. As rádios passam musicas de 'ditos' (metáforas), lamentando a situação. O povo faz a sua vidinha, mas tentando perceber o que se passa na cabeça de algumas pessoas deste país. Dizem que alguns oficiais teriam sido detidos. Não avencei com nomes porque ainda nao tenho fontes seguras sobre a matéria. O assunto é sério. Ouvi dizer também que há uma suposta lista de pessoas que serão detidas. Fala-se em nomes de alguns políticos. I na burmedju! Vou-me pôr ao terreno para tentar perceber mais coisas...
Um dia antes, era assim o Facebook de Cristina Conduto com o directo possível sobre a Guiné.
QUE SEJA BO PARA NHA!!!!
O governo de Guiné-Bissau negou que o país tenha sofrido nesta segunda-feira uma tentativa de golpe de Estado, como denunciou o chefe do Estado-Maior do Exército, e limitou o episódio a um ataque a uma base militar. Em entrevista coletiva, o ministro da Educação, Artur Silva, negou que os disparos e movimentos de tropas ocorridos hoje no país estejam ligados a uma tentativa de golpe, e anunciou a abertura de uma comissão para investigar o caso.
O primeiro-ministro guineano, Carlos Gomes Júnior, fez sua primeira aparição pública após várias horas em paradeiro desconhecido - havia o rumor de que estaria refugiado na embaixada de Angola à espera de novos eventos - para insistir que a situação está sob controle. "Infelizmente aconteceu essa alteração da ordem pública, mas já está tudo tranquilo", afirmou aos jornalistas logo após uma reunião com membros do governo, líderes políticos e chefes militares, segundo a agência de notícias portuguesa Lusa.
O ministro da Educação guineano foi mais explícito e confirmou que "um grupo de pessoas atacou um paiol do Estado-Maior do Exército e roubou algumas armas", mas negou de forma explícita que se tratasse de uma tentativa de golpe de Estado. Artur Silva não deu detalhes sobre qual era o objetivo deste assalto, quem o ordenou e nem sobre possíveis detenções. Neste sentido, a imprensa de Guiné-Bissau relatava a detenção de vários chefes militares como supostos instigadores do levante militar.
O governo da antiga colónia portuguesa desautorizou dessa forma as palavras do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Antonio Indjai, que poucas horas antes havia denunciado que "um grupo de militares quis alterar a ordem constitucional" no país.
Segundo informou a agência de notícias portuguesa Lusa, representantes de organizações civis advertiram sobre atividades militares "incomuns" e detenções na capital do país, Bissau, que despertavam o temor de um levante como o de abril do ano passado. Na ocasião, um grupo de militares liderados pelo próprio Indjai destituiu o então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Zamora Induta, e reteve por várias horas o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, para forçá-lo a renunciar.
Antiga colônia portuguesa, Guiné-Bissau, com cerca de milhão e meio de habitantes, é um dos países mais pobres da África e sofreu vários golpes de Estado e levantes militares desde que obteve sua independência de Portugal, em 1973.
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