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Home Cronistas Claudia Nguvulo Meu Brasil brasileiro!

Meu Brasil brasileiro!

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“Isto aqui é um pouquinho de Brasil iaiá”! Exatamente isto, um pouquinho do Brasil que  esteve a se viver em Londres. Com um Festival encandescente como o seu povo e sua cultura, o Festival Brazil iniciado no dia 19 de Junho e que teve seu término no dia 5 de Setembro, no SouthBank Centre, contou com muita música, ginga, poesia e debates. Um projeto que se propôs a encantar e também pontuar problemas vigentes naquele país. Os debates serviram para isto: alertar, discutir, esclarecer. As exposições, poesia e música: para encantar.
A cantora Mart’nalia leve e faceira, levantou a platéia na noite do sábado 10 de julho no Queen Elizabeth Hall. Descontraída, ela conta ao cantar, toda sua intimidade com a música. Num show ora a entoar intimistas canções, ora a incendiar com interpretações de sambas enredo de sucesso. Ela não só agradou como deixou também um gostinho de quero mais. Mais, desta leve vibração sem rodeios, uma direta fonte de  energia.  É, “quem nasce lá na Vila nem sequer vacila ao abraçar o samba”! Foi assim sem vacilar, que ela fez do show uma constante interação da platéia com a artista. Fronteiriça, despojada e feliz!
E que venham flores! Flores como as que decoraram o palco da cantora Maria Bethania num show profundo e exuberante no dia 17 de julho no Royal Festival Hall. Com sua voz penetrante e com uma interpretação arrebatadora, a cantora levou `a plateia a um delírio emocionante. Num show bonito de se ver e ouvir, para nao se deter somente a ouvi-la, tem que assisti-la em seus pormenores, em sua plenitude! Sua interpretação faz dela, uma cantora-atriz, capaz de vivenciar o que canta. Colocando em cena canções e emoções!
Mais um que subiu ao palco neste Festival, `as margens do Rio Tâmisa, foi o cantor Gilberto Gil, que no dia 21 de Julho apresentou-se ao público com um show onde o repertotio foi de forró, escolha esta que, a cada canção, deixou a platéia na expectativa de ouvir sucessos, mais do que esperados, do cantor. Mas o mesmo nao se rendeu, cantou apenas forró, mesmo com diversos pedidos para que ele cantasse outras canções. Este disse a seguinte frase : “Just for the change”! Em resposta aos vários pedidos de músicas que lhe foram feitos.  E por aí foi um Gilberto Gil forrozeiro, a levar a platéia. Mesmo no retorno ao palco para mais uma canção, ele  cantou mais sucesso do gênero.
Gil não erra no contato com o público, é de excelência na comunicação e na interação com a platéia, que foi na cadência feliz do forró.
Este evento teve outros momentos fortes e imprescindíveis para um melhor e mais transparente entendimento do Brasil, em um dos debates que houve neste  Festival, O Drama da Violência, com  o  ex- Secretário Nacional de Segurança Pública e Coordenador de Segurança Pública, Justiça e Cidadania do  Rio de Janeiro, Luiz Eduardo Soares, foi possível fazer uma análise deste drama vivido na sociedade brasileira. Um momento onde questões como invisibilidade foram seriamente debatidas. E ao falar na realidade da violência e seus dramáticos desfechos, Luiz Eduardo Soares disse dentre outras coisas que nesta questão: “Os meninos negros e pobres sao invisíveis, porque as pessoas os negligenciam”. E estes, quando usam uma arma, tornam-se assim, infelizmente, visíveis.  Uma das alternativas debatidas como possíveis tranformadoras desta realidade de violência, foi a de se utilizar a arte em prol da visibilidade.  Num Brasil celebrado e cultuado, produtor e exportador de cultura, há no entanto, a paradoxal realidade  da violencia vivida nas ruas das cidades.  Um drama de um povo que exporta felicidade e sua rica cultura, mas tem a violência a caminhar lado a lado com os cidadãos diariamente, resultado também, - muito sabiamente exposto - da negligência.  
A arte é sem dúvida alguma, excelente produtora de visibilidade. Temos aí mais um dos participantes deste Festival, como um  exemplo vivo de visibilidade que a arte proporcionou, o Grupo Cultural Afro Reggae, que incendiou maravilhosamente este Festival. Muito arrojado e dançante, com mensagens diretas que clamam por mudanças sociais, estes filhos de Vigário Geral no Rio de Janeiro, são só competência, aptidão e vibração. Muito bons no que fazem, foram fundamentais para mostrar um Brasil bem brasileiro.
No sábado dia 8 de Agosto, no Terraço do SouthBank Centre,  a cantora Leandra Varanda, fez sua participação neste evento de brasilidade. Que esbanjando vitalidade e simpatia, deu a todos um  presente com seu entusiasmante show naquela bela tarde ensolarada.  Assim, como que sentados numa varanda, `as margens do Rio Tâmisa, assistiu-se a uma Leandra que era só beleza e emoção, e que fez de seu show, uma  bonita e agradável apresentação!
A palavra foi o grande tom deste festival, que contou com muitas outras atividades e apresentações, show e debates. Como capoeira, gafieira, exposições, Escola de Samba, literatura, cinema, fotografia, DJ’s.  
A maneira como a organização dividiu este grande evento, fez a diferença a favor do mesmo, numa inciativa bem sucedida já que alguns eventos foram pagos e outros tiveram entrada gratuita.  
Um festival que mostrou, cantou, encenou, declamou, expôs, debateu, exaltou e apontou um Brasil para todos os gostos.
 

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