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Home Cronistas Claudia Nguvulo Um dia de Rainha!

Um dia de Rainha!

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Ela que é entoada em canções, exaltada por muitos, fiéis ou não,  presenteada e amada: de nome Iemanjá. Que no dia dois de fevereiro tem uma grande festa em sua homenagem, com direito a cortejo pelo mar que sai da Praia do Rio Vermelho em Salvador, na capital baiana, quando a cidade se volta para a festa onde religiosidade e fé, se misturam a ritmo e alegria.
Há os que vão agradecer por uma graça recebida, um pedido atendido, há os que vão pedir por algo desejado, por uma cura, levando assim oferendas e presentes para essa que é cultuada como a Rainha do Mar. 
Esta é uma festa que vai muito além de religião, onde seguidores de religiões como o  Candomblé e a Umbanda, se vêem em meio a muitos, que neste dia,  fazem `a Rainha do Mar uma grande homenagem. Esta, que é tida por muitos, como uma rainha-mãe! 
Uma festa cultural eu diria, que ultrapassa o sentido pura e simplesmente da crença. Uma das mais importantes festas do calendário cultural do Brasil.
A diversidade de pessoas que passam pelo Rio Vermelho é muito grande, a quantidade de presentes formam um tapete colorido no mar, que se espalha ao longo dos dias pelas praias de Salvador. Para alguns incrédulos e não simpatizantes da festividade, uma sujeira desnecessária. Como disse uma banhista baiana ao sair da praia da Barra em comentário com sua irmã: “Veja só a praia de Ondina (praia vizinha a da festa) como está imunda. São as coisas que jogam para a criatura!”
Há também pessoas como a paulista Beth que vive  em Salvador e diz todos os anos ir à festa bem cedo de manhã. As cinco horas lá está ela, na praia do Rio Vermelho, ali mesmo junto à Colónia de Pescadores, onde os balaios com as oferendas  são preparados, para sua conversa anual com a Rainha Iemanjá.
Beth diz que antes de mudar-se para a capital baiana, vinha a festa todo dia 2 de fevereiro,  pedir a Iemanjá que ela conseguisse fixar residência em Salvador. Ela que é professora de balé clàssico, conseguiu um emprego na cidade, segundo ela, coincidentemente, num dia 2 de fevereiro, o que  propiciou sua mudança de endereço, e hoje, já há 4 anos, é residente em Salvador.
Todos os anos há uma grande expectativa na revelação de qual, o normalmente grande presente, será preparado pelos pescadores para ofertar a Iemanjá. Este ano 40 artistas plásticos participaram da produção do presente. Foi uma concha de resina com a sua imagem cravada e 40 pérolas dentro, número este que simbolizou todos os artistas envolvidos na criação do presente de Iemanjá deste ano.  
Sabem energia? Esta mesmo que pode, faz, desfaz, eleva, contagia, irradia? É exatamente ela que emana neste dia dois de fevereiro no Rio Vermelho, em Salvador, tamanha a fé! A fé que congrega, une e contagia a todos que passam por ali. É sem duvida, uma festa emocionante, onde desejos, pedidos, fé e oração se entrelaçam, criando uma inevitável congregação humana de esperança e fé.
Estando distante, em um  outro Continente e em dias gelados na capital inglesa, pude vislumbrar por um momento a festa de Iemanja. Em pensamento…
Muitos, mesmo a distância fazem a sua homenagem a esta amada Iemanjá, pessoas que aqui  estando a viver, distantes desta grande festa do calendário brasileiro, separados por um Oceano de emoções e realidade, chamado Atlântico, postam em suas páginas de sites de relacionamentos, sua homenagem e devoção. O carioca Rodrigo Correa é um exemplo disto. Residente em Londres, ele veiculou em sua página virtual, um vídeo onde sete cantoras baianas se apresentam no Teatro Castro Alves em Salvador num canto em homenagem a Iemanjá.
Iemanjá é uma deusa da mitologia Africana, mais precisamente da mitologia Yoruba e assim foi descrita pelo fotógrafo e etnólogo  Pierre Verger no livro Dieux D’Afrike: “Iemanjá, é o orixá dos Egba, uma nação ioruba estabelecida outrora na região entre Ife e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemanja. Com as guerras entre nações iorubas, levaram os egba a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. Não lhes foi possível levar o rio, mas transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do axé da divindade, e o rio Ogun, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá.
O dia dois de fevereiro, foi um ensolarado dia na cidade de Londres. Um dia de sol muito frio, mas o dia desta, que como sereia tem sua imagem a encantar.
Salve a fé, salve o amor, salve a energia positiva que emana dos que crêem. Salve a Rainha do mar Iemanjá!
 

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