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A hora da Primavera

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A hora da Primavera
{sugestao: talvez a fotografia de uma planta/arvore em flor}
Da janela do meu escritório vejo as árvores com pequenos ramos verdes a despontar. O dia está bonito, um sol quente e a natureza parece despertar dum longo sono – mudou-se o fuso horário para o tempo de Verão, os dias tornam-se mais longos, a luz dura mais tempo . Talvez seja por isso que o nome atribuido a este mês, Abril, embora de origem incerta, dizem as pessoas que percebem disto que Abril vem do Latim ‘Aprilis’ que significa ‘abrir, descobrir, iniciar’ aludindo ao facto de ser quando as árvores e plantas começam a florescer.
E nós durante as ultimas crónicas também temos vindo a descobrir os pensamentos negativos automáticos que usamos no dia a dia. Aperceber-mo-nos da sua existência é já um passo na descoberta da nossa maneira de pensar, que por vezes não é benéfica face aos obstáculos que temos que enfrentar nas nossas vidas.
Uma forma muito comum de pensar é o de comparar e desesperar, ou seja, ver nos outros só aspectos positivos e comparar-mo-nos negativamente face a esses aspectos. Por exemplo, a Ermelinda vai beber um café com a sua amiga Joana que está sempre bem disposta, a sorrir, sempre a contar uma anedota, tão brincalhona que ela é!!! 
‘Certamente que a vida lhe corre bem, sempre tão positiva e feliz!’ pensa a Ermelinda ‘Eu então tenho de contar todos os tostões para poder vir beber um café. Que vida a minha! Miserável! Quem me dera ser como a Joana!’ 
Neste exemplo, a Ermelinda compara-se com a amiga e desespera com a sua vida. Desespera e fica ainda mais desanimada. Este é um pensamento negativo automático que produz ainda mais negatividade. Talvez seja mais proveitoso para a Ermelinda pensar ‘Mas, porque tenho de me comparar com os outros? Eu sou eu, e ela é ela. Qual seria a melhor forma de lidar com este tipo de pensamento?’  Bom, o melhor será ter consciência de que todos nós possuimos qualidades e defeitos e quando fazemos comparações a maior parte do tempo nem sequer possuímos dados suficientes que justifiquem as nossas conclusões. O que a Ermelinda não sabe a
ácerca da Joana, é que por detrás daquela figura jovial, a amiga está atrasada no pagamanto da renda e não sabe como resolver os problemas afectivos da relação dela com o marido. Em casa farta-se de chorar mas tem vergonha de partilhar tudo isto com as amigas lá do bairro. 
Como a Ermelinda não sabe nada disto da amiga, enquanto come a bola de Berlim pensa ‘Eu tenho de ser mais feliz! Eu devia ser brincalhona como a Joana!’  E lá vai mastigando o bolo sentido-se cada vez pior, pois acha-se desinteressante e feia. O problema com os ‘tenho de...’ ou ‘devo ser...’ é que tratam-se de pensamentos que nos põem sob pressão, normalmente são expectativas pouco realistas que tem de ser cumpridas por que se não só comfirmarão os nossos fracassos e incapacidade de sermos mais felizes.
Neste caso, porquê pôr-mo-nos sob pressão? Com expectativas que parecem ser impossíveis de realizar!? Qual seria uma forma mais realista de encarar estas coisas?
Dr João Botas, Psicologo Clinico
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