A promessa de férias, o descanso, as idas à praia ou ao campo com familiares e amigos! Tempo para relaxar e recargar as baterias! Mas, por vezes acontece haver pessoas que vão de férias e que não conseguem aproveitar a ausencia da rotina laboral. Por vezes, preocupam-se com o emprego, com o tempo, com o futuro! Enfim, preocupam-se com tudo! Estão ansiosas estas pessoas, sempre a pensar ‘Eu tenho de fazer isto! Eu devia fazer aquilo!’ e encontram-se num remoinho de emoções que as transtorna e que acaba for afectar os familiares e amigos que as rodeiam. Toda a gente se inquieta e não desfruta de nada. Não descansão nem deixam os outros descansar – estão sempre preocupados no que devia ser dito, feito, etc. Tem opinião sobre tudo e todos, e não param...
O que acontece
é que este tipo de pensar indica uma forma muito rigida de encarar a vida. Estarmos sempre a exigir e a dar ordens sobre nós proprios ou sobre o mundo ou sobre os outros constitui um problema fundamental: este tipo de pensar limita a nossa capacidade de adaptação face à realidade. É duma exigencia tão grande, constante e pouco compreensiva. Ela é tão poderosa que quando por vezes mesmo que queiram ter uma atitude menos critica estas pessoas não conseguem mudar fácilmente porque estão de tal forma habituadas a pensar e actuar deste modo. Pois, a capacidade humana de nos adaptarmos criativamente é uma das características do nosso sucesso enquanto especie porque razão haveremos de ser rígidos na nossa maneira de pensar? Reduzimos tudo a uma ‘simples’ ideia ‘Eu devia fazer isto!’
Contudo, nós tambem somos falíveis, talvez seja esta uma das caracteristicas mais humanas, todos nós temos as nossas crenças ácerca de tudo; mas o mundo continuará a ser um lugar imperfeito e os nossos familiares e amigos tambem nos magoarão e nós próprios nos surpreendemos com os nossos limites! Insistirmos com indignação que ‘Mas, isto não deveria ser assim!!’ pode deixar-nos extremamente zangados, deprimidos ou ansiosos e com isto perdemos a capacidade de saber como lidar e adaptar com a realidade. Por vezes temos de acitar as coisas como elas são, e se estamos de férias o melhor sera tirar proveito do facto de não termos de ir para o emprego todos os dias, podemos fazer outras coisas, ler um livro, caminhar pelo campo, fazer exercicio, etc.
Embora certas circunstancias possam ser desejaveis, preferiveis e até bastante melhores, as situações são aquilo que são e por isso não tem de ser de uma maneira particular. Talvez nós portugueses saibamos sobre isso duma maneira intuitiva, ‘É o destino!’ gostamos de dizer muitas vezes. O problema é que por vezes, esta noção de ‘destino’ retira qualquer forma de vida, torna-se num luto, uma escuridão e ali não entra luz, não há vida! Há depressão, isto é, por vezes a maneira como reagimos ao ‘destino’ é tornar-mo-nos impotentes e passiveis até da nossa própria força de vontade, até da nossa vida! Aceitarmos a realidade e empenhar-mo-nos em melhora-la seria um passo bem mais salutar que promove o pensamento criativo e a ação.
Por isso votos de umas belas férias!
João Botas, Psicologo Clinico
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