As pessoas são tratadas duma maneira injusta e muitas vezes nada é feito para que as coisas sejam reparadas ou corrigidas e outras vezes nada de diferente poderia ter sido feito para evitar tamanha injustiça. Acontecimentos negativos acontecem até às pessoas mais bondosas e altruistas, como por exemplo uma mulher ser atropelada por um carro na véspera do seu dia de casamento, enquanto que por vezes acontece outras pessoas que não fizeram nada de mérito serem ‘abençoadas’ pela vida, por exemplo, alguém que joga na lotaria pela primeira vez e
ganha o ‘jackpot’. Isto seriam dois exemplos que contrastam a sorte de cada um dos personagens ou a ausência dela. Portanto, na maior parte do tempo a vida não é só injusta mas também imprevista!!!
O que fazer face a este ‘background’? Talvez queixar-mo-nos e ficarmos miseráveis sobre o estado lamentável do mundo ‘Ao que isto chegou! Deus nos salve!! Não há nada a fazer’ diz a Sra Amélia face à perna partida e ao sonho duma festa nupcial idílica completamente arruinada. A Sra Amélia chora não tanto por causa das dores, que sempre estão ausentes com a ajuda duns comprimidos, mas o seu sonho destruido por aquele condutor embriagado e sem vista pois atropelou-a na calçada!!! Ela chora, está triste e ansiosa com a sua vida!
Ou talvez haja uma outra posição face ao dilema, isto é, primeiro podemos começar por aceitar as coisas como elas são e vivermos a vida da melhor maneira possivel, mesmo quando as coisas não correm bem. No caso da Sra Amélia, talvez aceitar que, com ou sem perna partida, a festa será importante enquanto a celebração da sua união com o seu namorado de longa data face à familia e amigos. Outra opção, talvez financeiramente mais cara seria adiar o casamento por uns meses e dar-se contente pois ao menos encontra-se viva e relativamente saudável! O sonho não está destruido, simplesmente adiado, mais um pouco de paciência...
Há que lembrar que um copo encontra-se meio vazio ou meio cheio, depende da opinião de cada um – se bem que meio vazio seja dito mais vezes pelas pessoas que gostam de beber (digo eu, mas não tenho dados cientificos para provar as minha hipotese, é só um palpite!!!). Não importa o quanto uma pessoa insista que o mundo deveria ser mais justo e que qualquer um deveria saber o que lhe vai acontecer de antemão , mas a vida não acontece assim!
A vida é injusta para muita gente, em certas alturas da vida algo de negativo acontece, e por vezes acontece só ao nivel emocional ou psicológico. Não é preciso haver ossos partidos ou viaturas danificadas. As ‘injustiças’ mentais podem ser mais adversas e terem um impacto mais profundo, especialmente nos tempos que correm onde parece haver pouco tempo para a reflexão.
Contudo, provavelmente as coisas não são tão horrivelmente injustas quanto nos parecem, embora como eu escuto a Sra Amélia dizer: ‘Com os problemas dos outros, estou eu bem!’. Verdade, mas se calhar ela esquece-se que os outros também sofrem imprevistos que os afectam mais ou menos como a sua perna quebrada a afecta a ela. Se nós conseguirmos aceitar a realidade de que haverá sempre injustiça e incerteza no mundo em que vivemos então estaremos preparados para enfrentar duma maneira mais assertiva os acontecimentos adversos que a vida nos atira à cara.
Em principio tambem estaremos menos ansiosos sobre que decisões tomar ou que riscos correr uma vez que estamos mais habituados a avaliar os acontecimentos duma forma menos catastrófica e negativa.
Nós podemos aspirar sermos justos todo o tempo mas se nós aceitarmos que a injustiça existe nós senti-mo-nos menos indignados e seremos menos facilmente horrorizados se a justiça não prevalecer.
João Botas, Psicologo Clinico
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