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Eu sou mais eu

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Nós, seres humanos, somos criaturas excepcionais! Desde o desenvolvimento biológico até à maturação psicológica cada passo da nossa etapa mais parece como um pequeno milagre! O milagre das duas células que produzem um bébé ou o milagre das relações humanas. Uma faceta interessante das relações humanas é o quanto sabe bem receber elogios de alguém que nos é importante. Obter o louvor do nosso patrão ou de um amigo ou dos nossos familiares normalmente faz-nos sentir bem, somos aprovados. Por vezes a sensação de alegria e satisfação é tal que acabamos por pensar que necessitamos da aprovação constante de alguém significativo, ou, talvez de toda a gente que conhecemos. Quando tal acontece então provavelmente as nossas vidas serão miseraveis, isto é, sentimo-nos tristes e inseguros sempre à espera do próximo comentário aprovador. Muita gente fica deprimida pois crêm que só são boas se as opiniões dos outros forem positivas. ‘Eu ofereci-me para ficar a trabalhar até mais tarde e o egoista do meu patrão nem sequer um obrigado me deu!!!’ diz a Sra Ermelinda ao seu marido, num tom triste e desanimado.
Talvez seja mais importante aceitarmo-nos a nós próprios, independentemente da aprovação dos outros. É normal o desejo de sermos amados, apreciados e aprovados pelos outros – mas não convém depender da aprovação dos outros a tempo inteiro – pois caso contrário, isto significa que a nossa opinião é esquecida e torna-se instável e insegura e, por vezes, leva-nos a reagir de uma maneira negativa quando enfrentamos situações de desaprovamento ou quando há a ausência de aprovação (como no exemplo acima descrito, a Sra Ermelinda esperava que o seu patrão tivesse elogiado o seu empenho laboral). É um balanço, por vezes, difícil de alcançar, o Homem não sobrevive sózinho, o bébé sem os seus pais não sobreviveria (contrariamente aos outros mamiferos), por isso a necessidade do outro está sempre presente mas por vezes nós comportarmo-nos de uma maneira que parece desejar mais aprovação como se o sentido da nossa vida dependesse totalmente dos outros. Quando isto acontece convém parar e perguntar: O que estou a fazer? Que quero eu alcançar com isto? Talvez ajude sermos mais assertivos sem ter receio das consequências. Se considerar-mos o louvor e aprovação como um bónus no lugar de ser algo de que nós precisamos constantemente então a nossa saúde mental será mais positiva.
Se pensarmos que precisamos da aprovação regular nós pagaremos emocionalmente de uma maneira ou de outra. Uma dessas formas será, sentirmo-nos ansiosos para que a aprovação aconteça – e quando esta acontece ficamos com medo da perder ou que ela dure pouco. Se não recebermos aprovação ou se o contrário acontecer, ou seja, alguem criticar-nos isso faz-nos sentir culpados e deprimidos.
Nós não podemos agradar a toda a gente, a toda a hora – e se isso é o que tentamos fazer acontecer então a nossa vida pode tornar-se num inferno, ficamos passivos e sem confiança em nós próprios. Se, no lugar de cairmos no poço do desespero, pensarmos que quando alguém não aprova aquilo que dizemos ou fazemos isso não é o fim do mundo, nem tem de ser intolerável, então seremos capazes de ter uma atitude mais salutar face aos problemas que encontramos ao longo da vida, e seremos mais alegres e realizados. Nós podemos apreciar os louvores que nos dão quando eles acontecem mas isso não deve tornar-se na principal razão da nossa existência. A aprovação começa em nós e o resto é um bonus!!!
 
João Botas, Psicologo Clinico
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