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Nem pó

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E mais uma vez o mês de Dezembro chegou...talvez seja o mês mais antecipado pois o espírito natalício começa hoje em dia em Outubro: as musicas de natal, as ideias para presentes, a publicidade feroz, as decorações para a casa, os planos de reuniões familiares, etc.
A palavra Dezembro vem do Latim ‘decem’ que significa dez, ou seja, Dezembro era o décimo mes do calendário Romano. O calendario Romano começava no mês de Março e certos autores pensam que os primeiros cinco meses foram nomeados pela sua posição no ciclo agrícola e depois das colheitas terem sido efectuadas os meses eram simplesmente numerados. Convém salientar que o calendário Romano mudou várias vezes, mas o mês de Dezembro era o ultimo mês segundo o calendário de Romulus, o fundador de Roma (753 antes de Cristo). Hoje em dia usamos o calendário Juliano constituido por doze meses.
Bom! Seja Romulus ou Juliano o que interessa é que este mês é o ultimo do ano e com isso evoca imagens de avaliação sobre o que se passou e o o que poderá vir a acontecer! É tambem um periodo que devido ao consumismo, promove a ideia de que toda agente se diverte muito e está muito feliz. Todos estes aspectos contribuem, penso eu, para a pressão emocional que muita gente sente durante esta altura e, por vezes, a ansiedade aumenta o desejo de que tudo acabe o mais depressa possivel.
Estas razões levam certas pessoas a estar em relações mesmo que elas sejam insatisfatórias ou até abusivas. ‘Eu passar o Natal e o Ano Novo sozinha!!! Nem pó!!!’ diz a Ermelinda  embora ela se sinta triste e presa na sua relação de há 20 anos com o Manuel, homem de pouca demonstração afectiva mas muito bom em mostrar o seu poder fisico e controlador quando chega bêbado a casa. As amigas aconselham-na mas ela prefere ter esta relação do que não ter nada. Talvez a Ermelinda pense que não vai conseguir viver sozinha ou suportar os sentimentos de solidão. Ou talvez ela pense que só se é verdadeiramente amado estando numa relação.
Bom! As relações românticas podem aumentar a qualidade de vida mas elas não são necessariamente essenciais para que uma pessoa desfrute plenamente da sua vida. Se a Ermelinda pensasse desta maneira talvez ela se senti-se melhor acerca de si própria, teria melhor auto estima e mais confiança em si. Eu não estou a advogar que as pessoas não tenham relações românticas, o meu conselho é pensar desta forma faz-nos sentir melhor mesmo quando não estamos numa relação intima e ajuda-nos a discernir de uma forma bem mais positiva possiveis parceiros(as) no futuro. 
As pessoas que escolheram duma forma mais racional ter um parceiro(a) e que acreditam que podem sobreviver no caso da relacao não resultar normalmente experimentam menos ciumes. E o ciume é um dos obstáculos no sucesso de uma relação – as pessoas que sofrem intensamente de ciumes  acreditam que têm de controlar o parceiro(a) e observar qualquer sinal de infidelidade ou desinteresse no lugar de se aperceberem no quanto a relação é positiva. O ciume tem o poder de tornar a relação bastante amarga. Um(a) parceiro(a) ciumento pode alienar o outro conjugue através do constante controlo e de que a promessa de fidelidade ainda não foi quebrada. Pode ser um processo extremamente extunuante deixando ambos os conjugues sem qualquer confiança enquanto casal.
Preferir no lugar de forçar uma relação ajuda-nos a manter a nossa independência e individualidade e caso estejemos numa relação intima, ajuda-nos a ser realistas com o nosso parceiro(a) mas também com nós próprios.
João Botas, Psicologo Clinico
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