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A ansiedade

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A ansiedade trata-se de uma forma de defesa que o nosso corpo dispõe face ao perigo, seja ele real ou imaginado. A adrenalina é injectada no nosso sistema circulatório indicando ao nosso corpo que temos duas opções: fugir ou ficar e lutar. Trata-se do nosso mecanismo de sobrevivência, isto é, o nosso botão de alarme. É um sistema antigo, trabalha tão bem que por vezes funciona quando não é preciso – quando o perigo existe somente nas nossas cabeças. Nós pensamos que estamos em perigo e o sistema dispara logo. O que acontece é que as pessoas que sofrem de ansiedade observam com muita atenção o meio ambiente caso haja algum sinal de perigo. Estão em alerta constante, não têm descanso. 
Normalmente, estas pessoas têm pensamentos do tipo: ‘Eu estou em perigo!’, ‘O pior que eu imaginava vai-me acontecer! ‘Eu não vou conseguir lidar com esta situação!’. Acompanhando estes pensamentos temos as reações corporais, ou seja, a resposta da adrenalina, isto é, luta ou fuga – o nosso coração bate mais forte e rápido (ajuda o sangue a chegar aos locais onde e necessário, isto á, as pernas para podermos correr mais depressa; os braços (para podermos bater em alguém) e os pulmões (para aumentar o nosso vigor). Como o sangue e desviado para estas zonas do nosso corpo então, ao mesmo tempo, ele é retirado de zonas onde ele não é preciso em momentos de alarme. Por exemplo, os dedos dos pés e das mãos e a pele (é por isso que estas mudanças produzem a sensação de formigueiro, frio ou estar paralisado).
Ao mesmo tempo a nossa respiração torna-se mais rápida. Desta forma ajuda o sistema circulatório a transportar mais oxigénio aos braços, pernas e pulmões resultando na sensação de termos mais vigor. No entanto, quando efectuado duma maneira bastante intensa uma pessoa pode sentir dores no peito, falta de ar e a sensação de que nos estamos a engasgar. Se isto acontece automaticamente existe uma ligeira falta de sangue no cérebro que nos pode fazer sentir tontos e até termos a visão nublada.
Os nossos músculos ficam tensos e preparam-se para a luta ou fuga, mas isto pode resultar em dores, movimentos involuntarios e tremores (especialmente nas pernas). Por vezes, suamos, o que ajuda a manter os nossos músculos frescos, pois, caso contrário poderiam sobre-aquecer. As nossas pupilas dilatam para poder deixar entrar mais luz e portanto ter-mos um melhor campo de visão. O nosso sistema digestivo torna-se mais lento para poder poupar energia. Mas, se a resposta da adrenalina for bastante intensa pode ter como efeitos secundários nausea, ‘borboletas no estomago’ e boca seca.  E duma forma geral nós concentra-mo-nos em identificar sinais de risco, mais do que o normal, ficamos à espera que algo aconteça.
Esta resposa ansiosa em termos prácticos pode adquirir os seguintes comportamentos: evitar locais ou certas pessoas, não sair à rua, ir a certos sitios a determinadas horas, isto é, fazer compras em lojas pequenas e a horas em que estao com menos gente, sair ha rua acompanhados por alguém, sair cedo de casa ou muito tarde do trabalho, ou enfrentar a situção alarmante mas adotar comportamentos tais como, falar sózinho, agarrar uma bebida, evitar olhar para as pessoas, tomar calmantes. Estes comportamentos são designados comportamentos de segurança, e por vezes ajudam-nos a ficar menos ansiosos. O problema é que desta forma nao podemos saber se conseguimos enfrentar situações de ansiedade sem eles. E se calhar até sem eles o resultado também poderá ser positivo…a ansiedade desaparece.
Enquanto que evitar certos locais ou situações ajuda-nos a sentir melhor a curto prazo, este comportamento não diminui a nossa ansiedade a longo prazo. Se a Sra Ermelinda tem medo de ir ao supermercado pois ela pensa que se ficar ansiosa vai desmaiar. Ela nao vai saber se esta crença está correcta ou nao evitando ir as compras e enviar no lugar dela o marido ou um dos filhos quando estes chegam a casa. Por isso, a crença de que o desmaio vai acontecer mantém-se assim como a ansiedade. 
É normal por vezes, sentir-mo-nos ansiosos. Alias, nós precisamos de um certo grau de ansiedade pois faz-nos ficar mais alertados e concentrados. Mas demasiada ansiedade ou manter-mo-nos constantemente ansiosos não é saudavel e é prejudicial para as nossas vidas e relações.
João Botas, Psicologo Clinico
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