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Home Cronistas Luciano Demetri Gonçalves “Eu estou vestido com as roupas e armas de Jorge...”

“Eu estou vestido com as roupas e armas de Jorge...”

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De acordo com a tradição, São Jorge foi um soldado romano do exército do imperador Diocleciano. Na crença católica, é um dos santos mais venerados (tanto na Igreja Católica Romana quanto na Igreja Ortodoxa e também na Comunhão Anglicana). É também imortalizado no conto em que mata o dragão. Considerado como um dos mais proeminentes santos militares, sua memória é celebrada dia 23 de abril como também a 3 de Novembro, quando  por toda parte, se comemora a reconstrução da igreja dedicada a ele em Lida ( atual Estado de Israel), onde se encontram suas relíquias, erguida a mando do imperador romano Constantino I.
Reza a lenda que Jorge nasceu na antiga Capadócia, região do centro da Anatólia que atualmente, faz parte da República da Turquia. Ainda criança, mudou-se para a Palestina com sua mãe após seu pai morrer em batalha. Sua mãe, ela própria originária da Palestina, Lida, possuía muitos bens e o educou-o com zêlo. Ao atingir a adolescência, Jorge entrou para a carreira das armas, por ser a que mais satisfazia à sua natural índole combativa. Logo foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidades, qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde da Capadócia. Aos 23 anos passou a residir na corte imperial em Nicomédia, exercendo a função de Tribuno Militar.
Nesse tempo sua mãe faleceu e ele, tomando grande parte nas riquezas que lhe ficaram, foi-se para a corte do Imperador. Jorge, ao ver que  tanta crueldade era praticada contra os cristãos, parecendo-lhe ser aquele tempo conveniente para alcançar a verdadeira salvação, distribuiu com sabedoria toda a riqueza a que lhe era atribuída aos pobres, entretanto, discubriu que o Imperador Diocleciano tinha planos de matar  todos os cristãos, compareceu  no dia marcado para o Senado confirmar o decreto imperial e levase no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os romanos deviam se converter ao cristianismo.Todos ficaram atônitos ao ouvirem as palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo. Indagado por um cônsul sobre a origem dessa ousadia, Jorge prontamente respondeu-lhe que era por causa da Verdade. O cônsul, insatisfeito, quis saber: "O que é a Verdade?". Jorge respondeu-lhe: "A Verdade é meu Senhor Jesus Cristo, a quem vós perseguis!." Como Jorge mantinha-se fiel ao cristianismo, o Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos, e, após cada tortura, era levado perante o mesmo, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar aos ídolos. Todavia, Jorge reafirmava sua fé, tendo seu martírio aos poucos ganhado notoriedade e muitos romanos tomando as dores daquele jovem soldado, inclusive a mulher do imperador, que se converteu ao cristianismo. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito, mandou degolá-lo no dia 23 de abril de 303, em Nicomédia (Ásia Menor).
Não há consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado padroeiro da Inglaterra. Seu nome era conhecido pelos ingleses e irlandeses muito antes da conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III fundou a Ordem da Jarreteira, também conhecida como Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. De acordo com a história da Ordem da Jarreteira, Rei Artur, no século VI,colocou a imagem de São Jorge em suas bandeiras Já em Portugal, tem-se informação que os Cruzados ingleses que ajudaram o Rei Dom Afonso Henriques a conquistar Lisboa em 1147 terão sido os primeiros a trazer a devoção a São Jorge parao país.
No entanto, só no reinado de Dom Afonso IV de Portugal que o uso de "São Jorge!" como grito de batalha tornou-se regra, substituindo o anterior "Sant'Iago!". O Santo Dom Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino, considerava São Jorge o responsável pela vitória portuguesa na batalha de Aljubarrota. O Rei Dom João I de Portugal era também um devoto do Santo, e foi no seu reinado que São Jorge substituiu Santiago como padroeiro de Portugal. Em 1387, ordenou que a sua imagem a cavalo fosse transportada na procissão do corpo de Cristo, tendo assim, séculos mais tarde, a tradição chegado ao Brasil.
A ligação de São Jorge com a Lua é algo puramente brasileiro com forte influência da cultura africana. Tal associação se dá porque na religião do candomblé, predominantemente na Bahia, o santo é associado a Oxossi, orixá associado à Lua. Na religião da umbanda, o santo é associado a Ogum. A tradição afro-brasileira considera que as manchas apresentadas na Lua representam o milagroso santo, seu cavalo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda
Salve Ogum, Salve Jorge!
 

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