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Home Cronistas Maria Leonor Bento Resposta a várias leitoras

Resposta a várias leitoras

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Queridas leitoras  Ana Rosa, Celeste, Almerinda e Rossana, o artigo publicado no PaLOP News nº  6, ajusta-se aos vossos emails, apesar das situações terem algumas variantes. Creio ainda assim que as opiniões dadas à nossa leitora, podem ser de grande ajuda para vocês.   Um grande abraco.
Para a Flavia, Manuela, Estrudes, Conceição e Ana tenho a certeza que o artigo  da edição 010 é a resposta que estavam à espera. Um grande beijinho.

Olá Maria Leonor.  Sou sua fã desde a primeira vez que li os seus artigos e tenho sentido grande vontade de lhe escrevera mas sempre penso que o meu problema não se ajusta ao tipo de aconselhamentos que a Maria Leonor dá ás leitoras, mas sinto-me tão atribulada que vou arriscar.  Eu considero-me uma compradora compulsiva, sou viciada em compras na net, tenho cartões de várias lojas e passo horas pesquizando as novidades para comprar. Ando sempre sem dinheiro, porque no final do mês vai tudo para os cartões. Tenho 46 anos e tenho vergonha de ter este vício. Tenho um marido muito bom, que não me pede satisfação do dinheiro que ganho. Pago algumas contas da casa, mas mais de 60% do meu ordenado vai para pagamento das compras que faço. Passado algum tempo eu vejo que algumas compras que fiz foram desnecessárias e que já não gosto. Acha que preciso de ir a um médico? Bjs A.M.

Amiga A.M. obrigada por ter compartilhado o seu problema. Não há uma causa bem estabelecida para a ocorrência de comportamentos compulsivos. Pode-se falar em fragilidade e predisposição, seja de elementos familiares, seja por razões individuais, seja por razões biológicas, ou de acordo com o funcionamento orgânico e mental.
Tipos de compulsao:
Jogo compulsivo - A maioria dessas pessoas afirma que está mais em busca de "ação" do que de dinheiro e, por causa dessa busca de ação, apostas ou riscos cada vez maiores podem ser necessários para continuar produzindo o nível de excitação desejado. Os indivíduos frequentemente continuam jogando, apesar de repetidos esforços no sentido de controlar, reduzir ou cessar o comportamento. Ele está sempre na expectativa de ganhar, como foi conseguido anteriormente. 
O jogo pode tornar-se uma grande fonte de prazer, podendo vir a ser a única forma de prazer para algumas pessoas. O jogador compulsivo costuma se tornar inconseqüente, gastando aquilo que não tem, perdendo a noção de realidade.
Trabalhar Compulsivo -  Com o objetivo de vencer profissionalmente, ganhar dinheiro, sobressair-se socialmente, tem sido glorificado pelo sistema cultural que a pessoa procure dar o melhor de si trabalhando. O trabalho pode ser utilizado como uma ocupação mental capaz de tomar o espaço de outros sentimentos ou pensamentos mais difíceis de serem vivenciados. Quando a atividade funciona como uma forma de esconder-se, fugir ou não ter que sentir ou pensar em outros problemas, enfim, quando alivia a angústia da vida de relação, o trabalhar pode tornar-se compulsivo, constante.
Neste caso, o trabalhar perde sua função natural passando a ser prejudicial ao bem estar físico, familiar, psicológico e social do indivíduo. Na compulsão pelo trabalho a pessoa vai de casa para o trabalho, do trabalho para a casa, excluindo-se de sua vida as opções do lazer, as pausas nos finais de semana, o convívio descontraído com a família, etc.
Atividade fisica compulsiva - A escravização que as pessoas das sociedades civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência do comportamento compulsivo para a prática de exercícios. É hábito que o ser humano moderno esteja moderadamente preocupado com seu corpo, sem que essa preocupação se converta numa obsessão. Mas alguns complexos de feiúra ou de estar em desacordo com os padrões desejáveis, podem levar à obsessão pela beleza física e perfeição.
Inicialmente essa atividade física pode proporcionar prazer, relaxar, fazer com que a pessoa se sinta mais saudável e bonita. Este comportamento libera substâncias em nosso cérebro responsáveis pelo prazer e bem-estar. Quando isso se transforma num comportamento compulsivo, exercitar-se em excesso pode resultar em prejuízo físico, atingindo as articulações, aparelho respiratório e o coração.
Comprar compulsivo - Assim como os demais comportamentos compulsivos, o comprador compulsivo é, praticamente, um dependente do comportamento de comprar, precisando fazê-lo sem limites para se sentir bem, pelo menos bem naquele momento (para depois arrepender-se).
O comprador compulsivo acaba por consumir coisas pelo fato de consumir e não mais pela necessidade do objeto que é consumido. Ir ao shopping sem realizar algumas compras parece tornar-se quase impossível. Muitas vezes sente-se culpado, porém, como em qualquer comportamento aditivo, o mais comum é perder o controle da situação. Entretanto, é fundamental fazer a diferença entre o simples hábito pelas compras do comportamento compulsivo às compras. Os hábitos de consumo são mais emocionais que racionais. Comprar por impulso, mas não por compulsão, é adquirir um bem por sentir uma atração instantânea pelo produto, seja por causa da embalagem, do preço ou do apelo publicitário.
Essas pessoas impulsivas pelas compras cometem as "pequenas loucuras que se cometem ao passar pelas prateleiras de supermercados”. Leva-se uma garrafa de bebida, um iogurte ou um pacote de biscoitos a mais, o  compulsivo vai às compras como um viciado que sai de casa para jogar ou em busca das drogas, e a compulsão acaba sendo uma atitude que exclui logo o prazer pela aquisição do novo produto.
O comprador compulsivo realiza compras em quantidades exageradas frequentemente gastando muito mais dinheiro do que pode, contraindo dívidas, passando cheques sem fundos, gerando desta forma prejuízos materiais para si e familiares mais próximos, culminando em falência, divórcios e depressão. Cerca de 5 a 6% da população sofrem do problema e é mais frequente entre as mulheres, na faixa dos 30 a 40 anos. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que 90% dos portadores do transtorno eram do sexo feminino. Porém, as últimas pesquisas americanas demonstram que os compradores compulsivos masculinos vêm aumentando assustadoramente.
Atualmente o problema tem atingido pessoas cada vez mais jovens (por volta dos 18 anos). É muito comum, hoje em dia, vermos jovens endividados, vítimas das facilidades de crédito e das campanhas publicitárias.
Além dos apelos do mercado, as facilidades de compras pela internet e canais de televisão voltados exclusivamente para o consumo também são fatores que propiciam e exacerbam o problema.
Produtos como maquiagem, jóias, roupas, bolsas, sapatos e perfumes são os preferidos pelas mulheres. Já os homens têm como foco os telemoveis, eletroeletrónicos, motos e até carros.
Não podemos negar a grande influência que nossa cultura consumista exerce sobre este transtorno, no entanto também é inegável o componente afetivo representado pelo vazio interno que os compradores compulsivos vivenciam. Via de regra, o comprar compulsivo envolve dois fatores:
1) Necessidade de bens materiais, com o intuito de alcançar a “felicidade”, que confere poder e status;
2) Como ferramenta para melhorar a auto-estima e sentir-se bem, preenchendo ilusoriamente a carência afetiva.
É preciso cortar o ciclo vicioso, uma vez que a compra compulsiva é antecedida por um desejo incontrolável e, no ato da compra em si, vivencia um grande sentimento de alívio tensional (prazer propriamente dito) ou ainda uma incrível sensação de poder e felicidade. Essa “onda” boa é seguida em geral de culpa e remorso por ter fracassado frente à compulsão. Assim, novamente o compulsivo é tomado por uma sensação de ansiedade muito grande, que só é aliviada com novas compras.
A compulsão por compras é mais grave do que se pode imaginar. É tal qual um vício em drogas ou jogo.
Comer Compulsivo -  Os transtornos alimentares constituem uma verdadeira "epidemia" que assola sociedades industrializadas e desenvolvidas acometendo, sobretudo, adolescentes e adultos jovens. Vivemos em uma sociedade na qual existe o culto da magreza. Assim, comer, um comportamento universalmente tido como prazeroso, torna-se alvo de preocupação de muitas pessoas. Os transtornos alimentares vêem aumentando sua incidência perigosamente e já começa a alarmar especialistas médicos, sociólogos, autoridades sanitárias. Essa busca obsessiva da perfeição do corpo tem várias formas de se manifestar e, algumas delas, diferem notavelmente entre si. Existem os transtornos alimentares mais tradicionais, que são a anorexia e bulimia nervosa.
Todos estes transtornos alimentares compartilham alguns sintomas em comum, tais como, desejar uma imagem corporal perfeita e favorecer uma distorção da realidade diante do espelho. Isto ocorre porque, nas últimas décadas, ser fisicamente perfeito tem se convertido num dos objetivos principais (e estupidamente frívolos) das sociedades desenvolvidas. É uma meta imposta por novos modelos de vida, nos quais o aspecto físico parece ser o único sinônimo válido de êxito, felicidade e, inclusivé, saúde.
Querida A.M. se fazer compras deixou de ser uma atividade agradável e ocasional para se tornar algo constante e incontrolável, é possível que você esteja desenvolvendo um comportamento compulsivo e isso lhe trará problemas graves.
Antes que seja tarde e a sua situação econômica fique comprometida, procure seguir estas dicas para se ajudar a se livrar do vício de comprar.
1 - Busque em si mesmo a origem para essa atitude. As compulsões freqüentemente estão vinculadas com períodos de insatisfação ou de baixa auto-estima. Não fique se justificando ou recriminando pelos seus pontos fracos. Tente descobrir a causa desse comportamento porque isso a ajudará a modificá-lo.
2 – Prepare um orçamento mensal e faça uma lista com as suas necessidades.
Inclua os itens de que você e a sua família precisarão. Coloque também os presentes que quer dar de aniversário, comemorações e compromissos estabelecidos préviamente.
Não tente se transformar da noite para o dia em uma pessoa contida.
3 - Antes de sair anote quais serão os artigos a serem comprados naquele dia e quanto será gasto. Leve com você somente o dinheiro necessário para adquirir esses objetos e deixe em casa o talão de cheque e os cartões de crédito ou de saque eletrônico.
4 - Nas lojas, concentre-se nos objetos da lista e evite "se distrair" com as vitrines e ofertas, que podem abalar você.
5 - Ao voltar, avalie o seu comportamento e reconheça os acertos e desvios em relação ao plano original. Anote exata e objetivamente o que você fez. Não se julgue nem se justifique, simplesmente descreva qual foi o seu comportamento em comparação ao proposto.
6 - À medida que você for cumprindo as metas fixadas, sentirá a sua auto-estima e confiança fortalecida e uma maior satisfação com você mesma. Os desvios serão cada vez menores, e você terá mais disposição para se comprometer para viver outro mês de controle e bem-estar.
7 - Uma ultima DICA, evite antes de deitar entrar na net, ou se precisar ler os emails, leia-os e depois deligue o PC, NAO navegue por sites que ja sabe de antemao “serem perigosos”. Se sentir que ainda não tem sono, leia um livro, ou oiça uma musica relaxante.
Espero querida A.M. que estas orientações possam ajudá-la, e não exite em escrever se tiver alguma duvida. Um grande abraço.
 

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