“Peço desculpa por falar em Português, mas sou um orgulhoso português”. Foi assim que, perante milhões de espectadores em todo o mundo, José Mourinho se pronunciou, em Zurique, na cerimónia da FIFA para a entrega da Bola de Ouro ao melhor treinador. Confesso que gostei. Fez-me também sentir orgulhoso do meu país.
A verdade é que José Mourinho encarna bem um conjunto de qualidades e valores que são um grande exemplo para as nossas comunidades espalhadas pelo mundo, como o orgulho em ser Português, a auto-estima, a confiança, a competência e o profissionalismo, a ambição. Ou o espírito de grupo que sempre cria para alcançar melhores resultados.
Mourinho, agora “Mou” em Espanha e bem conhecido dos ingleses, é um homem talhado para vencer. Chega, vê e vence ou, como diziam os Romanos, “veni, vidi, vinci”. Ganhou em Portugal, em Inglaterra, em Itália e agora em Espanha, países onde os campeonatos são dos mais competitivos. Ao decidir falar em Português, estava a manifestar o seu orgulho nas nossas origens comuns, na Língua Portuguesa, na nossa História e cultura.
Pode parecer arrogante e polémico por vezes, mas essa é também a força do seu carácter, que faz com que não deixe ninguém indiferente. Um pouco de sal no dia-a-dia só faz bem e é um sinal de ousadia, de quem não sente complexos perante ninguém e nunca rejeita um bom desafio. É simultaneamente arrebatado e implacável. Mas também sensível e amigo dos seus jogadores. Tanto é o seu maior defensor como não hesita em criticá-los para seu bem, para os ajudar, conseguindo sempre extrair deles aquilo que cada um tem de melhor. Quem não viu já Mourinho na hora de despedidas agarrado aos jogadores, todos de lágrima ao canto do olho. Aliás, quando um seu ex-jogador do Inter, o Sneijder, o elogiou na cerimónia de entrega da Bola de Ouro e o considerou o melhor do mundo, percebeu-se pelo trejeito a emoção misturada com orgulho. É assim uma espécie de coração duro que se parte facilmente.
Mas é essencialmente da competência que lhe vem o mérito e o reconhecimento, que agora fizeram com que o troféu fosse para si e não para outros. Ser competente no que se faz e ter confiança em si próprio não só é bom em termos pessoais, como acaba por se tornar uma referência para todos. Neste caso, o seu exemplo é também um poderoso meio para a projecção externa de Portugal. O seu desempenho e a sua personalidade valem mais do que muitas campanhas publicitárias e levam eficazmente o nome do país aos quatro cantos do mundo.
Mas o treinador também nos mostra a ambição e a vontade de chegar sempre mais longe. Uma insatisfação permanente, animada pelo trabalho, inteligência e sensibilidade. E isto é importante quer se trate de desporto ou de qualquer outra profissão, seja o desempenho de empregados de café, de cientistas ou nos estudos.
José Mourinho é, de facto, um exemplo, e afirma-se sem complexos. Sente-se bem onde está e não se deixa abater com críticas ou comentários. Sabe bem o que quer e como chegar aos objectivos. Adora ser português, mas não considera que isso seja incompatível com a sua vontade de viver em Inglaterra. É um cosmopolita.
O melhor treinador do mundo é um exemplo para todos nós. Pelo seu orgulho em ser português, pela sua auto-estima e confiança, pelo seu rigor e profissionalismo, pela sua ambição. Que a todos nos sirva de inspiração.
| < Anterior | Seguinte > |
|---|






