A rejeição do PEC lançou o alarme em Portugal e na UE, que teme o efeito de contágio a outros países. Em Portugal abriu-se a crise política mais estúpida de sempre!
Aquilo que devia ser uma confirmação bem sucedida em Bruxelas, transformou-se num pesadelo para os portugueses e para a União Europeia, que não consegue
compreender como foi possível os partidos da oposição criarem uma crise tão perigosa com tanta leviandade.
Por estes dias Portugal tem estado nas primeiras páginas dos jornais da Europa pelas piores razões. Os países estão receosos das consequências que a crise política possa ter para a zona euro após a rejeição do PEC.
Nem o PPE deixou de culpar Passos Coelho e o PSD pela crise, que inclusivamente mereceu críticas duras da Chanceler Merkel no Parlamento alemão. Numa Europa descapitalizada, a leviandade da oposição poderá custar muito caro aos nossos parceiros comunitários, que terão de contribuir com vários milhares de milhões (de Euros) em caso de intervenção externa que, esperemos, não se concretize. O jornal italiano Corriere de la Sera punha em título de capa que a rejeição do PEC lançou o alarme em Portugal e na União Europeia. A prioridade é agora evitar o efeito de contágio a outros países.
É por isso que esta crise bem pode ser classificada como a mais estúpida e inconsequente da democracia portuguesa. E facilmente encontraríamos mais uma dezena de adjectivos igualmente expressivos. Mas ela é, sobretudo, imperdoável. Que raio de classe política é a nossa que age como se o país não fosse membro da União Europeia nem tivesse obrigações internacionais? Que ostensivamente ignora que o mundo vive a crise económica mais grave dos últimos cem anos. Entre a sofreguidão pelo poder do PSD e do CDS e o radicalismo destrutivo do PCP e do BE venha o diabo e escolha. Mais uma vez ficou provado que a esquerda radical prefere uma boa crise a contribuir para a resolução dos problemas, que são o seu alimento eleitoral.
Esta atitude sôfrega para chegar ao poder não só agravará a situação de crise económica e social, como lançou uma grande preocupação na zona euro. Antes de ser triturado como os quatro líderes que o antecederam, Passos Coelho não hesitou em abrir uma crise política sem sequer pensar que agora os portugueses serão mais penalizados e a Europa e o mundo desconfiarão mais de Portugal. O egoísmo partidário sobrepôs-se ao interesse nacional e europeu.
Não obstante as dificuldades do momento, a execução orçamental dava bons sinais de que Portugal estava a conseguir alcançar com folga os objectivos que se propusera atingir. E em termos europeus os resultados não podiam ter sido melhores. As linhas orientadoras que Portugal apresentou em 11 de Março para atingir as metas de consolidação orçamental foram elogiadas pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e pelo Eurogrupo. E a União conseguira entender-se quanto aos instrumentos financeiros para combater crises futuras e travar os movimentos especulativos.
Mas 11 de Março ficará também como o dia em que o PSD deixa Portugal e a União Europeia em sérios apuros. Todos os esforços para evitar uma intervenção externa foram postos em causa de maneira dramática quando na Assembleia da República o PSD e os restantes partidos rejeitaram irresponsavelmente aquele que, segundo o Finantial Times, era o único programa capaz de salvar Portugal. Depois foi o que se viu. No dia seguinte as taxas de juro dispararam e os ratings da d&ia! cute;vida foram cortados dois níveis pela agência! Fitch, logo aquela que Miguel Relvas considerara pela manhã como tendo um prestígio inabalável...
Desde que foi eleito, que Passos Coelho mantêm o país em permanente crispação e com a ameaça de abrir uma crise política. Este era o seu plano e nem sequer era secreto porque inúmeros responsáveis do PSD iam dizendo, sem qualquer escrúpulo democrático, que ou derrubavam o Governo antes do Verão ou então faziam-no logo a seguir às presidenciais.
Duas semanas após a posse de Cavaco Silva, eis que o PSD abre uma crise política com custos incalculáveis para a vida dos portugueses, para os parceiros da zona euro e da União Europeia e para a nossa imagem e credibilidade externa. Imperdoável!
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