O PSD não tem um, mas sim dois programas para as Comunidades Portuguesas, sendo que o dos candidatos e actuais deputados pelos círculos eleitorais das comunidades é totalmente diferente do que é apresentado no programa oficial do PSD, divulgado no passado domingo. Enquanto os candidatos eleitos pelas comunidades divulgaram um programa cheio de ilusões e que sobrecarrega a despesa pública, o programa oficial do PSD esvazia
todas aquelas propostas, desautorizando quem as fez.
O PSD precisa, portanto, esclarecer com que programa se vai apresentar às Comunidades, qual deles é para ser levado a sério e qual é para ignorar. E os exemplos a necessitar de esclarecimento são muitos e flagrantes.
No manifesto “O PSD e as Comunidades Portuguesas”, os candidatos do PSD garantem que as Comunidades portuguesas serão “a prioridade absoluta no contexto da política externa”. Mas no programa oficial do PSD não há nenhuma referência a essa orientação.
Os candidatos do PSD indignaram-se por ter acabado o porte pago que custava ao Estado mensalmente vários milhões de euros em despesas de correio. Mas o programa oficial do PSD não faz uma única referência à comunicação social das comunidades.
Os candidatos do PSD pelas comunidades, garantem que vão criar “consulados de nova geração” designados “Espaços Portugal”. Mas o programa do PSD, não só elimina esta ideia dispendiosa, como fica muito aquém da modernização que tem sido feita nos postos de atendimento consular. Aliás, enquanto os candidatos criticam o consulado virtual, o programa oficial do PSD retoma a ideia.
Os candidatos do PSD queixam-se das “enormes carências humanas nos postos consulares”, mesmo que tenha havido no último ano um reforço considerável de funcionários para alguns consulados mais necessitados. Porém, é necessário dizer como será feito esse reforço se o programa oficial do PSD prevê que para cinco saídas na função pública apenas haja uma admissão.
Os candidatos do PSD falam na criação de mecanismos de captação de poupanças dos residentes no estrangeiro. Mas importa esclarecer como é que se vai convencer os residentes no estrangeiro a enviarem os seus depósitos para Portugal se os dirigentes do PSD estão sempre a falar de forma irresponsável em bancarrota e até o próprio Pedro Passos Coelho, no final do debate com Jerónimo de Sousa, referiu numa declaração leviana a possibilidade de uma reestruturação da dívida.
Outros exemplos podiam ser apresentados. Mas é necessário saber qual é o verdadeiro programa do PSD para as comunidades.
O programa do PSD foi de tal forma esvaziado em relação às propostas dos candidatos, que foi reduzido a zero de ideias inovadoras e apresenta zero em termos de acção, limitando-se praticamente apenas a enunciar aquilo que o Governo já fez e a apropriar-se das suas iniciativas.
No fundo, o programa do PSD, acaba por fazer o reconhecimento de que é correcta a orientação que tem seguido o Governo nas políticas para as comunidades portuguesas.
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