Numa noite dedicada á poesia, a Canning House encheu-se para ouvir recitar poesia portuguesa em ambas as línguas. Para o efeito, vários autores estiveram presentes lendo as suas próprias poesias e a de outros autores num espaço completamente cheio de rostos que a comunidade sensível á cultura bem conhece.
De Portugal, viajaram diversos poetas de que se destaca a presença de Sérgio Godinho,
nosso convidado para esta entrevista.
Uma noite de poesia em Londres. Soube-lhe a muito, soube-lhe a pouco ou soube-lhe a tanto?
É uma noite de partilha de poetas onde eu sou um entre outros e em que a poesia portuguesa se mistura na tradução para a musica inglesa. Tivemos uma sessão análoga em Lisboa com a participação de mais poetas portugueses já que a distância não era tão grande e foi um grande prazer estar aqui.
Portanto.
Somos um país de poetas ou temos muitos poetas no país?
Acho que a poesia é intrínseca à literatura portuguesa e é algo do sentir português. Acontece é que nem todos os poetas são suficientemente bons para se intitularem poetas e quem o diz são os outros; não somos nós mas acho que sim, que somos
um país de poesia.
Também acha que de poeta e de louco, todos temos um pouco?
Muito.
Estamos falhos de declamadores?
João Villaret representou sobretudo uma época muito importante na divulgação da poesia principalmente através da televisão que na altura estava a dar os primeiros passos. Foi extremamente importante para a divulgação da poesia e era grande "dizeur". Mário Viegas com outro estilo foi outra referência.
Temos falta de gente dessa?
Aqui foi uma sessão de leitura e que exige a identificação a uma época tal como o fazia Ary dos Santos. De certo modo, Ary dos Santos foi "beber" ao João Villaret mas eu acho que a oralidade é intrínseca aos poemas. Há quem diga melhor e há quem diga pior.
Temos mais gente a dizer melhor ou a dizer pior?
Não posso fazer uma afirmação exaustiva. É um mundo que passa pela poesia mas passa também pela musica.
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