Os turistas que visitam Londres, conhecem uma parte da cidade que corresponde ao "elan" que a cidade produz como nenhuma outra no Mundo inteiro.
Só quem se afasta da City percebe que a alma desta escrita sobre a cidade está nas raposas.
À noite, descem à cidade e aproveitam os cruzamentos para acordar ruas inteiras. É assim a vida fora da City.
À fauna, devem-se acrescentar os esquilos em todos os jardins, os corvos em todos os céus e os sem abrigo (Homeless) um pouco por toda a parte.
Clara Macedo Cabral, junta todos estes "ingredientes numa panela e faz uma sopa" para que quem não conhece Londres possa conhecê-la.
Confrontada com as diferenças culturais de quem é portuguesa e chega a Londres, Clara Cabral reconhece as dificuldades mas também o desafio. "Temos que perceber o que está por detrás da fachada que é composta e nunca sabemos o que está por detrás".
Para Clara Cabral, o segredo está na capacidade de adaptação e no "saber interpretar uma cultura comportamental de muitos anos e aprender a lidar com as subtilezas da linguagem e da cultura"
"Prefiro aprender a gostar deste povo e a gostar de cá viver" diz a escritora.
A autora, faz crer no seu discurso que não acredita numa hipócrisia dos ingleses mas acredita numa "hipócrisia que está por todo o lado. Prefiro olhar para os ingleses de uma forma positiva" foi a expressão da escritora que resulta numa lição de comportamento social para todas as comunidades imigradas no Reino Unido.
São muitas "as raposas" que ressaltam do trabalho da escritora que se desdobra em âmbitos tão distintos como a poesia, a história passada e a presente e muitas das coisas do quotodiano londer.
Quisemos saber como se sente a escritora num local como Londres, uma das capitais mundiais da cultura?
"Uma grande dose de invisibilidade" - sublinha - a que acresce " talvez o facto de pertencer a uma comunidade vista como insuficientemente qualificada. Estamos em Londres e perdemos o estatuto que tinhamos na nossa terra. A solução é dar a volta por cima e não fazer disso uma preocupação".
A autora afirma que a comunidade tem que "estabelecer laços mais fortes com os ingleses e outros imigrantes".
Num ambiente a que não faltou o Embaixador de Portugal e a Coordenadora do Ensino de Português no Reino Unido, a escritora insiste à nossa reportagem que "não temos que ser catalogados como imigrantes, nem do Norte, nem do Sul. Temos que ser catalogados como pessoas num espaço que os ingleses abrem em que valemos aquilo que valemos".
Valeu o discurso abrangente da escritora que deixa sair uma sensação de liberdade. "Nunca seremos "british" nem parte da comunidade inglesa e temos que perceber as diferenças. "Londres é uma cidade que vive a cultura da carreira" diz a escritora para adiantar detalhes da sua observação. "Os ingleses não têm o hábito de convidar os amigos a sua casa; as relações sociais e afectivas são mais superfulas" assentam na cultura do pub mais que na do cafe e isso choca-nos culturalmente. Da mesma forma que quando um inglês tem um dia "desgraçado" e quando lhe perguntamos como está a correr o dia ele responder "everythig its Ok. All rigth."
Clara Cabral, estabelece laços em coisas que de alguma forma existem de diferente nas diversas culturas como se o Mundo fosse uma única Nação. "Temos que perceber o contexto" diz a autora que revela que quando chegou a Londres teve que aprender a cidade.
Clara Cabral, falou ainda do "homless" (Sem abrigo) que é um caso real publicado no seu trabalho. Um inglês que dá o conceito de "raposa" que aparece como título desta fase em ambos os livros. Na verdade, se Clara Cabral tivesse optado pelos corvos ou pelos esquilos, estaria a falar seguramente das mesmas histórias.
"As minhas personagens são tiradas da realidade" revela a escritora para informar que "fechou o galinheiro das raposas. Este foi um "set" e está esgotado".
Como se sente? - quisemos saber.
- Inquieta.
Para onde vai agora?
- Vou continuar em Londres.
A apresentação do livro decorreu junto à Estação de Vitória num espaço carregado de histórias com a História de Portugal a que pensaremos voltar em breve.
Clara Macedo Cabral é licenciada em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e mestre em Estudos Portugueses, Literatura Comparada, pela Universidade Nova de Lisboa e o livro foi editado pela editora Orfeu, livraria portuguesa e galega.
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