o CCP, Centro Comunitário Português ou mais recentemente Centro de Apoio à Comunidade Lusófona não perde munições numa guerra de argumentos que dispara em todos os sentidos. Num rigoroso exclusivo, António Cunha, Conselheiro da Comunidade Portuguesa e autor do projecto, esgrime as suas razões que o deixam no centro da polémica.
Para António Cunha, o maior desejo é informar a comunidade sobre como surgiu a ideia do CCP, esclarecer as dúvidas e contar a história. "O CCP nasce quando percebo que a comunidade precisava de um ponto de referência" diz Cunha.
"Quando houve eleições autárquicas, nem Steve Reed era ainda presidente de Lambeth, mencionei a necessidade de um Centro Comunitário em Lambeth."
Como explica que tenha sido a equipa que foi escolhida por si que acabe por o demitir?
Não foi a equipa que me demitiu.
Mas é isso que a equipa afirma.
Eles não podem afirmar uma coisa dessas. Quem faz essa afirmação que a faça à minha frente.
Em entrevista ao PaLOP News, Luis Ventura afirmou que foi demitido.
Fui demitido sem eu estar presente. A imprensa não sabe o que tem falado. Se perguntarem o que se passou, Lia Matos só pode contar a versão verdadeira e essa versão, é que na presença de várias pessoas, Lia Matos afirmou que só ficaria na equipa se eu me retira-se. Por outras palavras, seria a Lia Matos ou António Cunha e nessa altura perguntei porque razão estava Lia Matos a atuar dessa forma?
Naquele dia, perguntei à Lia Matos: Porquê Lia Matos? Se já nem sou eu que está a liderar o projecto?
O que respondeu Lia Matos?
Respondeu que eu a tinha posto a assinar cheques sem estar registada na conta.
Isso corresponde à verdade?
Na altura, perguntei-lhe se estava a brincar comigo?
Lia Matos diz que os documentos do banco nunca foram processados pelo banco.
Os documentos estão carimbados pelo Santander.
Esses documentos, segundo Lia Matos nunca foram processados.
Não foram? Então como é que os cheques foram pagos?
Lia Matos revelou que o banco não confere as assinaturas a não ser de forma aleatória.
Isso não é verdade. Quando a Lia Matos me dá 24 horas para apresentar a documentação, eu telefonei ao Santander e pedi a cópia do processo todo e deram-me a cópia do precesso todo.
Os documentos podem existir no banco sem terem sido processados?
Não se passam oito mil libras de cheques sem que a assinatura esteja lá presente.
Você acha que se eu assinar os seus cheques o banco vai pagar?
O Santander parece ter alegado que não confere as assinaturas dos cheques a não ser de forma aleatória.
Desafio-o a fazermos isso com um cheque do Santander. Tragam-me um cheque do Santander de uma conta onde eu não conste como titular para eu assinar a vermos se o Santander o paga. Estamos a brincar com o quê?
Lia Matos alega que o Santander se recusou a prestar informações sobre a conta pelo facto de o seu nome não constar na lista dos titulares.
Isso é o que Lia Matos diz.
São declarações falsas?
Só podem. Eu pergunto a mim mesmo como é vários cheques são pagos se a assinatura não estiver presente no processo? Os cheque foram emitidos ao longo de meses e foram pagos. Eu mesmo quando pedi a cópia do processo não mo puderam entregar imediatamente e tive que esperar que o balcão o pedisse aos serviços centrais. Eu ía para uma reunião e tive que esperar pela entrega do processo. O balcão do banco sugeriu que me pudessem enviar a cópia pelo correio e tive que me impor a que a cópia me fosse entregue no momento.
Então porque razão não deram a cópia do processo à Lia Matos?
Não sei. Eu não estava presente. Penso que você deveria perguntar à Lia Matos que se existe um equívoco, porque razão não me convidou para estar presente no banco?
Lia Matos argumenta que tentou contactar António Cunha por várias vezes e que não obteve resposta.
Não entrou em contacto comigo uma única vez antes de ir ao banco. Foi ao banco sem o meu conhecimento e na reunião acusou-me de ter falcatruado o projecto.
Estamos a falar de um projecto em que fui eu que convidei todas as pessoas que lá estão. Eu estou disposto a comparecer publicamente para esclarecer todas as dúvidas da comunidade com a presença da imprensa e do público.
Quando dizem que eu fui demitido, estão a mentir. A questão é que Lia Matos disse mesmo, que no projecto ficaria eu, ou a própria e eu abandonei a reunião com o meu filho. Entendi que seria preferível que ficasse Lia Matos e abandonei a reunião. Se desconfiam de mim que fui que os convidei para integrar o projecto, depois de a própria Lia Matos ter apresentado a sua própria carta de demissão que me levou a pedir-lhe para reconsiderar e permanecer.
Tem uma carta de demissão de Lia Matos?
Tenho sim. Tenho por escrito o suporte de todas as minhas afirmações.
Como reage ao facto de Lia Matos ter apresentado uma queixa crime contra si?
Onde está essa queixa? Eu não fui contatado nem tenho conhecimento oficial sobre qualquer queixa.
Lia Matos afirma ter apresentado essa queixa.
E a polícia não me procura? Onde é que está essa queixa?
Terá já passado tempo suficiente?
Quanto tempo é que é preciso? Lia Matos que diga onde é que eu vou lá entregar-me. Estamos a brincar.
É essa a sua reação à queixa?
A minha reação é um desejo profundo de muita sorte para essas pessoas que estão no Centro Comunitário Português, que tenham êxito e se realmente eu era uma pedra no sapato, tal como me fizeram julgar, não precisavam de me nomear coisas que são falsas.
Que género de nomeações?
Por exemplo, o dizer que a fiz assinar cheques sem estar registada na conta.
Quem foi que entregou os documentos da Maria Marques? Fui eu. Como é que o nome da Maria Marques está lá e o de Lia Matos não está?
Luis Ventura refere que os projectos não estavam a avançar e que isso só se iniciou depois da sua demissão.
Quais são esses projectos que fizeram depois de eu sair?
Projectos de apresentação na área da educação, cursos e sessões de esclarecimento público.
Eu estive presente nesses projectos.
Não há nenhum projecto que tenha sido iniciado depois da sua saída?
Diga-me um. Tenho a minha assinatura em todos eles.
Como é que se sente em relação à equipa?
Gostaria que vissem as coisas como deve ser. Não é assim que se trabalha. Só um mal entendido leva Lia Matos a uma posição de "ou ele ou eu".
Onde pensa que está a genese deste desentendimento?
Não sei nem quero saber. Sei apenas que todos se aproveitam da comunidade portuguesa. Todos põem os portugueses a trabalhar gratuitamente. Já algum dia puseram um português a trabalhar na Câmara de Lambeth com salário? Não. Já algum dia ofereceram alguma coisa? Não.
O emprego na Câmara de Lambeth depende de falar português ou da competência profissional?
De ambas as coisas.
Conhece algum caso de uma pessoa competente que se tenha candidatado e tenha sido recusada?
Isso não é desculpa. As pessoas têm que concorrer aos cargos mas é preciso que sejam avisadas dessas oportunidades em concurso público. Porque razão as outras comunidades têm essas oportunidades e a comunidade portuguesa não tem?
Quais são as oportunidades que as outras comunidades têm tido que a comunidade portuguesa não tem tido?
Todas. A Câmara sabe publicitar que apoia a comunidade portuguesa com a festa do 10 de Junho e quando se trata de oferecer trabalho aos portugueses sobram apenas os trabalhos voluntários não remunerados.
Acha que Steve Reed se está a servir da comunidade?
Toda a gente o faz. Veja que foi aprovado o meio milhão de libras e depois vieram pedir 10 mil libras de renda pela sala no Springfield. Nessa altura, fui eu que tive que me impôr com um "não" ao pagamento dessa renda. Na prática, a Câmara estava a dar com a mão direita e a tirar com a mão esquerda. Detesto que toda a gente olhe para os portugueses como coitadinhos. Os portugueses trabalham, não são coitadinhos. O grande problema é que toda a gente gosta de os ver de mal uns com os outros.
Então agora vêm com a novidade de ser necessário ter uma instituição criada para realizar o 10 de Junho? Para quê? Para reconhecer a festa dos portugueses? Isso eles sempre reconheceram sem exigirem haver uma instituição criada e sempre a pagaram. Mesmo que fosse necessário, eles seriam os primeiro a dizê-lo. Porque razão a informação da Câmara vem com uma exigência e um prazo que termina nesse mesmo dia? Eles sabiam que seria impossível cumprir uma exigência cujo prazo termina no mesmo dia em que a fazem.
Pergunte a Luis Ventura quem fez tudo para que fosse um português a ficar a dirigir o CCP. Se fiz bem ou fiz mal, não sei. Sei que a gestão do CCP foi a concurso público e havia duas empresas inglesas a concorrer e eu pressionei para que Luis Ventura apresenta-se a sua candidatura. Assim que nos sentamos na reunião, a opinião de Lambeth era a de que Luis Ventura não era competente para estar na frente do projecto.
Se não era competente, como se entende que tenha sido selecionado?
Estou a responder à sua pergunta. Logo que nos sentamos, fui informado que Luis Ventura não tinha os requisitos necessários para liderar o projecto e eu perguntei quem seria então comptetente e foi quando me apresentaram as duas empresas. São empresas que estão a trabalhar com a Câmara e que estão envolvidas na dinâmica do município.
Entende que há premiscuídade na Câmara?
Não sei. Só sei dizer o que se passou. Sei que se o projecto de Luis Ventura não é bom, os outros dois também não são.
Por quê?
Porque nenhum deles tem uma pessoa que fale português nem interesse em admitir no quadro uma pessoa que fale português.
Porquê?
Não sei mas era o que estava lá escrito.
O facto de haver uma "champion" portuguesa na Câmara de Lambeth significa o quê?
Para mim não significa nada. Se ela estivesse a ser paga pelo seu trabalho, seria uma oportunidade bem vinda, assim não significa nada a não ser mais trabalho gratuito. Porquê? Para quê? Quando chegarem as eleições vai ser Adelina Pereira que vai arrastar a comunidade portuguesa para o voto?
É só uma questão eleitoral?
Exactamente. O que mais pode ser? Porque razão vieram ter comigo para apoiar Peter Bowyer quando foi eleito counciler de Stockwell? Porquê?
Quem foi que inscreveu 5 mil portugueses nos cadernos eleitorais? Foi de facto António Cunha e eu tenho todos os registos em papel.
O facto de António Cunha ter conotações com o PSD pode de alguma forma ter criado um ambiente antagonista?
Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Fui contatado por várias vezes para integrar vários partidos incluindo os LibDem e os Trabalhistas. Recusei sempre porque eu represento a comunidade portuguesa e sou a favor da comunidade portuguesa e não deste ou daquele partido. Isto é válido independentemente de serem instituições portuguesas ou inglesas e de quem está no poder. Eu estou com a comunidade portuguesa. Se o PSD ganhar as próximas eleições a minha opinião sobre o Consulado Geral de Portugal vai manter-se pela negativa. Os resultados eleitorais não distorcem o meu sentido de apoio à comunidade portuguesa. Eu fui eleito pela Comunidade Portuguesa no Reino Unido.
É candidato ás próximas eleições?
Não sei. Estou a pensar.
Quando são as próximas eleições?
Também não sei. A ultima reunião em Lisboa não agendou uma data mas penso que este mandato possa durar mais um ou mesmo dois anos mas isso não me interessa. O que me preocupa aqui, é a comunidade desconhecer o seu potencial e estar desunida.
O que falta para que esteja unida?
Falta esclarecimento e falta que as pessoas se envolvam mais nos projectos. Quantas vezes pedi ao PaLOP News para anunciar a falta de pessoas para integrar as comissões? Quantas vezes? Centenas de vezes.
O PaLOP News esteve sempre disponível.
Mas quantas pessoas apareceram? Eu convidei pessoas para integrarem o projecto e elas não apareceram e depois vêm dizer que fui eu que trabalhei mal?
Se trabalhei mal, dei o meu melhor. Ninguém esteve lá para ajudar.
Como é que está a sua consciência?
A minha consciência está bem. Criem uma oportunidade para eu poder esclarecer publicamente a comunidade desde o tempo em que eu sou Conselheiro da Comunidade. Aí poderei revelar tudo o que fiz e o que está a ser feito. Foi depois de ser Conselheiro que me impus para o meio milhão de libras e tive que fazê-lo sózinho.
Nunca pedi dinheiro. Pedi um Centro Comunitário e sempre tive essa batalha. Foi assim que apareceram o meio milhão de libras e agora que se aperceberam que o entregaram mal estão a arranjar formas de o recuperar?
O CCP é o centro Comunitário Português com Apoio à Lusofonia e não um Centro de Apoio à Lusofonia. Antes de mais, é o Centro Comunitário Português.
Opõe-se a que seja lusofono?
Não, não me oponho mas não concordo que lhe mudem o nome. Para mim é Centro Comunitário Português que pode e deve prestar apoio à comunidade lusófona mas sem perder a identidade portuguesa na sua raíz.
Porque razão este projecto teve a colaboração da Embaixada de Portugal e não teve a participação das restantes embaixadas?
Acha que o projecto mudou de filosofia?
Não sei se mudou mas sei que quando foi registado foi com o nome de Centro Comunitário Português e eu tenho as cópias desse registo.
Lia Matos acusa-o de não lhe ter respondido aos e:mail's que lhe enviou.
Quais foram os e:mail's que me enviou? Vamos deixar de brincadeiras. Eu se quero alguma coisa consigo, crio a oportunidade. Eu nunca quis assinar cheques.
Porquê?
Porque não. Eu fiz isto com a ideia de haver uma direção e um departamento financeiro para evitar as manobras de meter os "pés pelas mãos". Se fosse numa situação de emergência até poderia ser mas não vejo a necessidade de haver 5 ou 6 pessoas a assinar cheques. Duas bastam. Nem nas comissões do Dia de Portugal alguma vez assinei cheques por uma questão de princípio.
Assinou garantias bancárias?
Nunca e você está a fugir ao assunto da entrevista que é o Centro Comunitário Português. Acabamos a falar de várias coisas e não falamos do essencial.
O que é o essencial?
É o facto de os portugueses não serem unidos.
E porque razão os portugueses não são unidos?
Porque não querem fazer parte, não se envolvem e não se informam e depois deitam-se a adivinhar. Quando estive na reunião com Lia Matos, seria de louvar que me tivesse informado que esteve no banco e que lhe foi negado acesso à informação na conta e nessa altura eu mesmo iria com a Lia Matos ao banco para esclarecer a questão. Mas não foi isso que aconteceu.
O que aconteceu então?
Aconteceu o que lhe referi antes. A Lia Matos, unilateralmente, decidiu que ou eu iria embora ou iria embora ela mesma afirmando que ou eu me demitia do projecto ou demitia-se ela. Eu saí porque quero o melhor para o projecto. O CCP foi criado por mim; eles são padastros.
O tempo dirá quem tem razão. Quando referem que agora os projectos estão a andar, eu pergunto: quais projectos? Quero ver.
Agora, também eu quero questionar. O que impede qualquer português de ser trust da charity? Nada. Porque razão me quiseram fora de lá?
Qual é sua resposta a essa pergunta?
Não sei. Há qualquer coisa que não está certo. Uma pessoa normal, quando tem duvidas procura o esclarecimento e não toma uma reação de prepotência do "tu ou eu". Quando fui confrontado com esse "tu ou eu", levantei-me e abandonei a reunião.
Na sua opinião, porque razão Lia Matos, Luis Ventura e Adelina Pereira estão contra a sua manutenção no cargo?
Provavelmente por os fazer trabalhar. Provavelmente por lhes exigir trabalho e coisas feitas. Quando pedi a agenda diária feita, foram todos contra mim e sugeriram que a agenda fosse feita mês a mês e eu pergunto se as pessoas sabem o que comeram ontem? Só peço à comunicação social que seja agendada uma oportunidade pública para que haja esclarecimento de todos os interessados.
Está disponível para um debate público?
Exactamente. Se eu falhei não tenho problemas nenhuns em pedir desculpa ao povo mas eu não tenho nada que me possam apontar. Porque razão, antes, não se falava em associar a festa do Dia de Portugal ao CCP? Por estar lá o António Cunha? Como se pode entregar a festa do Dia de Portugal a uma instituçõo que tem problemas deste género?
Qual é a imagem do CCP? Qual é o prestígio de uma instituição que resolve os seus assuntos na praça pública?
Qual é o valor da avença de Luis Ventura?
Mil e seiscentas libras por mês.
Existem pagamentos em atraso a Luis Ventura?
O que está atrasado não são os pagamentos a Luis Ventura. Os projectos é que estão atrasados três meses e o dinheiro só é transferido aquando da execução dos projectos. Sem que os projectos andem a Câmara não liberta o dinheiro e o atraso dos pagamentos deve-se ao atraso dos próprios projectos.
Como comenta a ida dos elementos do CCP a Lisboa?
Mais uma vez um projecto que tem a minha assinatura e tenho tudo isso por escrito. A Coordenadora do Ensino do Português no Reino Unido que informe quem assinou as ultimas atas.
Até o meu e:mail me fecharam. Pediram-me a pass word e eu dei-a. Não estou agarrado a nada mas fico indignado com estas atitudes e a falta de profissionalismo que as pessoas revelam. O que quero, é que a comunidade se mantenha unida e que participe; que esteja presente na sua própria vida e neste momento não está. Quero uma comunidade que olhe para o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos, para aqueles que chegam aqui com "uma mão à frente e outra atrás" e foi assim, com estas preocupações que fiquei com os meus cabelos brancos.
Entristece-me ter pago para tudo isso e depois nem sequer me deixarem o meu e:mail. Nesse dia, fui para casa e no dia seguinte quis entrar no e:mail e já tinham mudado a palavra pass.
O PaLOP News conhece um argumento que diz que todos os e:mail's foram apagados.
É mentira. Os e.mail's que foram enviados ao Conselheiro pertencem ao Conselheiro e não ao CCP. A correspondência de acunha@, pertendem-me e até isso fizeram questão de me tirar. Se fui eu que paguei, tenho ou não direito áquilo que paguei?
Como é que se sente com essa questão?
Como é que você se sentiria? São coisas minhas e que me pertencem. A chave de segurança eles tinham, porque razão me tiraram o enderço de e:mail? Porquê?
Não me chamaram a atenção para nada que pudesse estar errado, não esclareceram nada comigo. Eu até podia mudar de ideias se me dessem informação do que estava errado mas nada disso foi dito ou feito.
Sente-se maltratado?
Que conclusão é que posso tirar de tudo isto? Quero apenas esclarecer a comunidade.
O que é que as pessoas lhe dizem na rua?
As pessoas conhecem-me. São pessoas que tratam comigo há muitos anos e votaram em mim. Sabem quem eu sou e quando perguntam porque razão me mandaram embora eu costumo respoder que "talvez eu estivesse lá a mais".
As autoridades portuguesas, Embaixador e Cônsul Geral, teceram algum comentário?
Eu sou uma pedra no sapato dessa gente. Eu não sou modelo e não sou homem de fotografias. Eu não me candidatei a conselheiro para andar a tirar fotografias com os partidos políticos. Eu sou uma pedra no sapato do Cônsul Geral porque ele trata os portugueses "abaixo de cão". Quanto ao Embaixador, o anterior Santana Carlos foi excelente e este novo Embaixador João de Vallera está a dar bons sinais mas eu continuo a ser uma pedra no satapo dessas pessoas. O mesmo se passa em relação ás autoridades locais inglesas.
Quando dão meio milhão de libras e depois pedem 10 mil de renda mais o pagamento do parque para a festa do Dia de Portugal, estão a dar o dinheiro de um lado e a tirar do outro. Podem sempre acusar-me de ter conseguido o espaço no Springfield gratuitamente. Terá sido um erro?
Quando mandam a gestão do projecto para consurso público e depois procuram que sejam empresas inglesas a gerir o projecto deixando os portugueses de fora, eu pergunto: "então o português é cão"?
Qual é o probelema de termos um português na frente do Centro Comunitário Português para que as pessoas sejam atendidas em português?
No meu projecto havia 8 comissões e o líder de cada comissão teria um telemovel e eu negociei isso com a Vodafone.
Quem os paga?
Nessa altura estava previsto pagar eu do meu bolso, mal eu sabia que já estavam a preparar a minha saída. Quando me pediram o telemovel não havia dinheiro. Teria que ser eu a dar o meu cartão de crédito para o negócio e todos os telemoveis eram por assinatura mensal.
Quanto é que gastou do seu bolso neste projecto?
Não sei e o que gastei foi porque eu o quis gastar. Não ganhei um "pi".
Qual é o recado para a comunidade?
Que se mantenham unidos. Que não digam coisas que não sabem. Que procurem a informação quando têm dúvidas. Que digam o que pensam mas que não se desviem dos projectos e sobretudo que não pensem que são os ingleses que gostam de nós. Veja-se a posição do Reino Unido na questão do resgate financeiro a Portugal que levou o actual ministro britânico a dizer que não estão dispostos a assinar o apoio a Portugal. Como podemos acreditar que os ingleses gostem mais dos portugueses do que estes de si mesmo?
Quais são as suas relações com Steve Reed?
São para inglês ver com um sorriso pepsodent. Não gosto que se riam para mim ao mesmo tempo que me "espetam a faca nas costas". Quando me pediram para eu apoiar a candidatura do Labour, eu apoiei e escrevi isso mesmo a Steve Reed. Escrevi uma carta a todos os partidos políticos a informar que se houvesse um partido político que desse apoio à criação de um Centro Comunitário Português, na integração, na educação e outros assuntos em que somos carentes, eu estarei disposto a apoiar esse partido. Ainda Steve Reed não era presidente de Lambeth. Nessas eleições foi quando Steve Reed foi eleito e eu fui convidado para ir festejar a vitória mas antes tive a oportunidade de referir a Peter Bowyer, na presença de Domingos Cabeças, que precisavamos de um parque para organizar a festa do 10 de junho que nessa altura era organizada pelo Domingos Cabeças. Foi ele que me referiu que era uma vergonha não se organizar o 10 de junho e veio falar comigo como Conselheiro dizendo-me que era necessário um parque, a polícia e a limpeza do parque de forma gratuita para a festa dos portugueses e eu tentei. Falei com Steve Reed e a partir daí passamos a ter essas funções gratuitamente. Foi a partir desta data que se passaram a convidar as entidades oficiais para estarem na festa. Antes de mim, nunca as entidades foram convidadas para estarem presentes na festa do 10 de junho.
Recordo-me que na altura tive que me inscrever para a reunião da Câmara para fazer o pedido que me tinha sido transmitido pelo Domingos Cabeças e nessa altura pedimos o Larkhall Park que acabou por ser oferecido à comunidade portuguesa. Nessa semana, fui tomar o pequeno almoço à Town Hall com a Presidente da altura para estudarmos qual o melhor parque.
Dois dias depois, apanhei o Domingos Cabeças que me acompanhou a esse pequeno almoço e foi a partir daí que o partido Labour nos cedeu o Parque, a polícia e a limpeza gratuitamente. Nessa altura, o Labour não estava no poder mas estavam a ajudar a Comunidade Portuguesa e eu percebi que não me estavam a enganar.
Isso mudou depois de subirem ao poder?
Continuam a fazer a mesma coisa mas a muito custo porque os portugueses não estão unidos. Porque razão este ano não houve parque para o Dia da Madeira? Porque os ingleses perceberam que os portugueses estão divididos. A culpa é nossa e não é de mais ninguém.
Como Conselheiro da Comunidade não se sente responsável por essa desunião?
Como posso fazer mais? Agarrando num megafone e sair à rua a gritar aos portugueses para se juntarem? Temos que nos unir e resolver os problemas como uma família.
Dentro de casa.
A fechar?
Desejo que exista um Centro Comunitário Português e que haja um debate em que todos possam participar. Quem não tem rabos de "palha" não tem nada a temer. Para abrir uma conta para o meio milhão de libras, eu tive que mendigar a quem pudesse assinar a conta no banco. Nunca nada foi feito en nome de António Cunha mas sim em nome de Portuguese Community Centre. Alguém percebe que eu tenha que andar a pedir a outras pessoas ajuda para abrir uma conta para que não seja eu sózinho? As pessoas têm que saber o que se passa. É como as questões do Consulado Geral de Portugal. Todos reclamam mas ninguém assina um abaixo assinado. Isto cansa.
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Comentários
Caro Luis Barros
Tal como foi informado anteriormente, para publicitar o seu trabalho, por favor consulte os nossos orcamentos.
Obrigado.
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