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Negócios de morte

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Maria Cristina Almudí é uma poligolota de Língua Espanhola que um dia viu as línguas de que fala ao serviço de uma multinacional de serviços funerários. Aí fez carreira, tendo permanecido ao serviço da empresa em Portugal por cerca de 10 anos para depois regressar a Londres de onde tinha partido. Ao todo, soma 22 anos no negócio funerário.
Neste regresso e com a experiência acumulada na empresa para quem tinha trabalhado, Cristina entendeu que era possível fazer mais e melhor por uma comunidade que estava imigrada e que se confrontava com a dor do momento da morte e a dificuldade em entender a Língua Inglesa e as imposições legais do Reino Unido.
Para a maioria dos latinos, a ausência do velório e o excesso dos valores cobrados, foram o passaporte para oferecer os seus conhecimentos à comunidade aliando um preço sem especulações a uma rotina de respeito pelas tradições.
Foi com este espírito que surgiu em Londres a Agência Funerária da Comunidade situada em Battersea mesmo junto ás margens do Thames.
Aos poucos, tem vindoa construir a sua imagem e a criar aproximações à comunidade numa figura ímpar já que Maria Cristina Almudí é a única mulher conhecida nesta actividade em todo o Mundo.
Ao PaLOP News, Maria Cristina Almudí revela que o facto de ser mulher lhe cria alguns obstáculos mas que isso não a impede de estar ao lado de quem a solicita em todos os momentos.
"Não somos apenas uma agência funerária" - revela - "Geralmente, ficamos amigos de quem nos solicita porque fazemos muito mais do que aquilo que nos compete. Somos tradutores, acompanhamos as famílias aos crematórios, consulados, igrejas e tratamos de toda a burocracia. Por vezes até somos árbitros involuntários de pequenas discussões familiares. Estamos habituados a lidar com a dor de quem nos procura e sabemos entender o que precisam" - diz.
"O que posso fazer pelas pessoas que me procuram, tem toda a experiência que arrasto pelos anos em que trabalho nesta actividade" diz Cristina que presta serviço em todo o Reino Unido.
"Não se justificam os preços que as empresas pedem para fazer uma transladação porque não entendem o que isso significa para as pessoas. Os serviços não são caros mas existem empresas que se valem das dificuldades das pessoas que aliado ao momento de dor e desorientação têm ainda o problema da língua" - refere.
A maioria dos serviços têm estado dispersos pelas comunidades de linguas portuguesa e espanhola que no negócio têm as mesmas tradições religiosas, partilham os mesmos anseios e as mesmas dificuldades que em tudo são diferentes daquilo que é hábito no Reino Unido.
"Não concordo com aquilo a que assisti durante o tempo que trabalhei para a multinacional onde aprendi tudo o que sei desta actividade. Nós temos uma forma diferente de tratar o momento da morte que deve ser respeitado e nós fazemos um esforço para isso" - diz a nossa entrevistada para acrescentar: "Raramente estamos preparados para um momento em que alguém morre na família, mesmo financeiramente e para os imigrantes isso torna-se pior. Não podemos tratar as pessoas como se fossem ricas levando-as a assinar papeis que não sabem o que têm escrito e por isso muitas pessoas perguntam se os nossos preços têm mesmo todo o serviço incluído". 
"Existimos para servir a comunidade e se é verdade que temos que ganhar algum dinheiro como qualquer outro negócio, também é verdade que não precisamos de explorar as pessoas só porque estão a atravessar um momento difícil e não falam a língua. Por isso, além de termos muito cuidado com a questão dos preços, tivemos também a preocupação de criar um espaço de velório para que as famílias possam estar com o seu ente querido mesmo que seja a noite toda."
"Um dos projectos que tenho é a participação dos seguros ou o pagamento por antecipação para quem deseje estar acautelado em situação de prevenção!" - revela Maria Cristina Almudí.
"Acompanhamos as famílias desde o primeiro momento até que tudo esteja concluído" - diz Cristina Almudí que pretende criar uma imagem de proximidade mais do que pensar na questão financeira que motiva as grandes empresas de serviço funerário. "Temos um contacto directo e muito próximo com as entidades oficiais e religiosas e quando falamos com as famílias tentamos sempre quea conversa seja muito clara. Assim não restam duvidas" - remata.
"Para lá da sermos uma agência funerária, somos um lugar onde as pessoas voltam como visita para tomar café e conversar um pouco."
"O mais difícil em termos técnicos, é enfrentar a pressa que as famílias têm em ver o corpo mas geralmente conseguimos satisfazer as famílias. Já conseguimos tratar de um processo para o Brasil num único dia embora não tenha feito mais nada." - conta.
No Reino Unido, a generalidade das vontades vão para a cremação dos corpos. O preço do metro quadrado, mesmo nos cemitérios, nem sempre permite ás famílias optar pela sepultura e a cremação permite a entrega das cinzas em 24 horas que depois podem ser levadas para os países de origem e que ao mesmo tempo é muito mais barato. Uma sepultura, pode chegar ás 3 mil libras.
Uma semana é o tempo necessário para fechar o processo devido ás exigências dos crematórios ingleses que pedem toda a documentação.
"O que nos preocupa é facilitar a vida das pessoas que nos procuram e fazer com que os seus desejos sejam cumpridos sem que isso implique um custo exagerado seja para Portugal, Brasil, Angola ou qualquer outro país no Mundo inteiro" - conclui.
 

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