Miguel Santos, natural de Lisboa, 46 anos veio para Londres há 15 anos para fazer o seu mestrado em Gestão de Artes na City University. "Vim para desenvolver os meus conhecimentos" revela ao PaLOP News.
- Já trazia intenções de fazer este percurso? - perguntamos ao produtor que de uma só assentada espalhou quatro concertos de Língua Portuguesa em Londres no Lifem Festival.
"Não faço planos a longo prazo. Faço o que estou a fazer agora e deixo acontecer" revela o empresário que se desdobra nas mais diversas vertentes da musica. "Já tive uma editora discográfica, já tive uma
distribuidora, já fui musico, já fui jornalista para o Blitzz, o Expresso e o Set".
Num percurso em que sempre foi estudante e trabalhador, Miguel Santos interrompeu o seu doutoramento para se dedicar aos projectos que tem abraçado ao longo do tempo.
"Economia ou estatística aplicada à cultura são matérias que eu gostaria de trabalhar.
Trabalhou cerca de dois anos antes de receber o convite que o faria agarrar o projecto que mais tempo desenvolveu em Londres. Pela mão da Fundação Gulbenkien, produz e realiza ao longo de 8 anos o Atlantic Waves Festival que se vem a tornar a referência maior da musica portuguesa no Reino Unido.
O fim do festival, acaba por interromper um ciclo na própria Fundação que culmina com a mudança dos cargos directores. "Entenderam que oito anos foi demasiado tempo a promover a musica portuguesa e na minha opinião foi um erro estratégico. Abrem-se muitas portas que depois se fecham. É um erro muito comum Portugal ir a Espanha ou aos Estados Unidos da América fazer um grande evento e depois não fazer mais nada. Sem continuidade, as portas fecham-se e volta-se à estaca zero" refere.
Quanto ao Atlantic Waves, era já um marco no mapa cultural de Londres com ritmos de crescimento de ano para ano. "Foi pela mão da Atlantic Waves que Mariza dá o seu primeiro concerto em Londres" - diz o produtor Miguel Santos.
Quanto à questão economica, Miguel Santos adianta que "a promoção da cultura não se mede pela receita de bilheteira. A Atlantic Waves foi muito bem sucedida e muitas outras pessoas copiaram o modelo para outras comunidades. O problema principal, é o investimento que tem que ser feito pelos governos ou por instituições com capacidade financeira para um evento com a dimensão da Atlantic Waves.
Quanto ao publico português, Miguel Santos não considera que seja muito diferente de outros públicos a residir em Londres. Depende sempre dos nomes que trazemos.
"Se for um Rui Veloso ou os Xutos e Pontapés, é natural que o publico português adira mas o objectivo era o de internacionalizar os artistas portugueses e a musica portuguesa a toda a comunidade londrina e não apenas à comunidade portuguesa.
O publico português em Londres é difícil? - perguntamos.
Miguel Santos, começa por dizer que existem dois tipos de pessoas na comunidade portuguesa. "O imigrante tradicional que veio para trabalhar, poupar e regressar e o imigrante que está a estudar ou a trabalhar em Londres no seguimento de carreiras profissionais. O primeiro, pode ter pouco interesse nas questões da cultura mas o segundo adere com facilidade devido ao nível de Formação que possui." - confere.
Quanto aos estilos, para Miguel Santos não há duvidas. "O fado é que atrai mais ingleses até pelo facto de ser exótico. É necessário ter essa dose de esotismo para singrar em Londres e a musica brasileira consegue abrir caminhos graças a esse detalhe".
Miguel Santos, revela ter especial interesse pelos artistas de Língua Portuguesa de qualquer um dos países. "Somos uma mistura muito rica" e sobre as dificuldades de fazer com que o publico se interesse, Miguel Santos diz que "não há coisas fáceis na vida e as dificuldades servem para um percurso de aprendizagem com vista a melhorar e afinar o processo".
Pelo caminho, Miguel Santos apresentou em Setembro passado no Kings Place Festival um concerto invulgar de musica produzida a partir da Nintendo e Game Boy's que contou com público português.
Com uma agenda que trabalha com um ano de antecedência, Miguel Santos promete trazer em Novembro de 2012 mais do mesmo com o anuncio de concertos em português para português assistir.
Foi pela razão de proximidade que os concertos tiveram lugar no Lost Theatre e a comunidade de Língua Portuguesa tem potencial para uma maior participação do que aquela que foi registada nesta edição.
Se tivessemos que oferecer um pensamento ao espirito de Miguel Santos, seria "Água mole, em pedra dura".
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