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A toca do 25 de Abril em Londres

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A história dos portugueses em Londres confunde-se com alguns dos rostos que descobrimos no restaurante Toca (Sul de Londres) na última 5ª Feira de cada mês. Vieram para o Reino Unido antes da Revolução dos Cravos, por cá ficaram, por cá gastaram a sua juventude, por cá construíram a sua história. Alguns deles, foram jornalistas de grandes referências mundiais. Apenas um do Palop News esteve presente até porque não temos outro.

“A seguir ao 25 de Abril publicamos o primeiro jornal a ser publicado para imigração em Londres chamado Luta Comum. Não éramos profissionais embora o Carlos Alves fosse jornalista da BBC e estivesse envolvido” – diz o nosso entrevistado e porta-voz do grupo.

Os iniciantes deste movimento que resulta hoje deste convívio, trabalhavam na hotelaria e hospitais e outros “eram operários e eu que era Professor Universitário” – refere Álvaro Miranda para acrescentar: “O grupo nasceu com pessoas que tiveram actividade

antifascista em Portugal e depois em Londres durante o período da outra senhora (exilados como eu que era exilado)” – diz.

Estas pessoas, fundaram algumas das associações de imigrantes com nítido carácter de oposição ao regime de Salazar. “Fomos um grupo que fundou a associação 25 de Abril que funcionou durante muitos anos – antes disso fundamos a Liga do Ensino e da Cultura Portuguesa que foi a primeira Organização independente do Consulado … anterior a isso havia o Centro Católico que estava ligado ao regime e por consequência à Embaixada que foi a primeira coisa que apareceu aqui para juntar os imigrantes.

A actividade associativa porém, não parou por aqui. “Depois fundamos um grupo em que eu participei e que várias outras pessoas aqui presentes participaram, que foi a Liga do Ensino e da Cultura Portuguesa em 1968” - recorda.

Esta actividade, terá continuado até muito depois do 25 Abril. O centro destes encontros são pessoas que tiveram actividades políticas contra o regime Corporativo. Estas pessoas eram de várias tendências políticas. Uns mais próximos do PCP, outras do PS e outras de esquerda mas sem conotações. “Na génese deste grupo está uma questão política” diz Álvaro Miranda.

“Começamos em 1968 mas várias pessoas, incluindo eu, já tínhamos actividade política anterior a essa data” – revela Álvaro Miranda para continuar. “Antes de 1968, havia actividade estudantil, exilados, refractários à Guerra Colonial. Depois dessa data, começaram a participar outros elementos; operários e trabalhadores da imigração económica. Várias das pessoas que aqui estão hoje, eram imigrantes económicos mas que tinham uma consciência política antifascista e que se juntaram a nós” – diz o antigo dirigente.

Álvaro Miranda, revela ainda que muitas das pessoas que integraram o movimento em Londres, voltaram para Portugal a seguir ao 25 de Abril e “hoje temos o que resta dessa Organização nestes jantares mensais” diz.

Inicialmente, os encontros eram feitos anualmente. No entanto, como a “generalidade de nós somos reformados, entendemos passar a realizar o encontro de forma mensal” – revela. Os primeiros encontros foram num Restaurante Galego com um pequeno grupo dos primeiros reformados. “Os donos, eram pessoas que tinham um passado de luta contra o General Franco de Espanha e havia um bom ambiente. Por isso reunimos lá durante bastante tempo” – revela.

Mais tarde, esse restaurante haveria de ser vendido e o grupo deslocou-se para um restaurante português em Stockwell que se chamava Café de Portugal e que também já não existe e onde o grupo se reuniu ao longo de alguns anos. Com o fecho deste restaurante e havendo um membro que tinha visitado o Restaurante Toca, “consideramos seguir a sua opinião e fizemos uma visita para falarmos com o gerente e foi o Toca que acabou por nos dar guarida a estes encontros” – adianta.

“Ainda discutimos política e falamos de Portugal assente num passado que temos em comum de sofrimento com o regime fascista” – finaliza.

Neste encontro, para além de outros participantes e do professor universitário Álvaro Miranda, participaram o fotógrafo Álvaro Ferreira que chegou a ver os seus trabalhos publicados no jornal Guardian, Carlos Alves da BBC (colega do saudoso Gilberto Ferraz também da BBC) e António Vidal da Associeted Press que «desfolha» nas suas memórias muitos dos teatros de guerra que conheceu por força do seu desempenho profissional como jornalista.

Na última 5ª feira de cada mês no Restaurante A Toca.

Veja com ilustrações na página 13 aqui.

PN

Data: 26 Março 2018

 

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